Mãe X Mulher

Já faz mais de  10 anos que me tornei mãe pela primeira vez. Nunca fui um primor de vaidade, nem mesmo antes de me casar, quando era mais jovem. Comecei a ter cuidados como usar protetor solar, cremes e até mesmo maquiar, alguns anos após o casamento.

Nas gestações ganhava muitos quilos e a pouca vaidade que restava, ia para o buraco junto com minha auto estima. A fase mais complicada para mim sempre era a fase da amamentação e das meninas com poucos meses de idade. Acordava muitas vezes durante a madrugada e consequentemente, as noites mal dormidas, os hormônios e a depressão pós parto , me faziam sentir cada dia mais feia e mal cuidada.

Quando tive minha segunda filha, reconheci a depressão logo no início, comecei a fazer  tratamento medicamentoso e logo consegui sair dela, diferente da primeira gravidez.

Nunca idealizei a maternidade, sempre imaginei ser algo intenso, de grande valor espiritual, mas extremamente complexo.

Ser mãe, do ponto de vista feminino, deveria sempre nos fazer sentir mais plenas, fortes e belas. Mas pelo menos comigo este processo tem acontecido de forma lenta e crescente.

Com as meninas maiores, aos poucos comecei a sentir a real necessidade de voltar a cuidar da mulher dentro de mim. As mudanças que vieram no meu corpo após as duas gestações, não chegavam a incomodar tanto quanto o fato de me sentir exausta e descuidada de uma forma geral.

O primeiro passo que dei foi sair do sedentarismo; logo em seguida veio a necessidade de buscar hábitos e alimentação mais saudável. Quando fui notando resultados naturalmente comecei a sentir mais vontade e prazer em me cuidar. Comecei a refletir também sobre o exemplo que poderia dar as meninas, de uma vaidade saudável, valorizando bons hábitos alimentares e exercitar o corpo para ter uma boa saúde e se sentir bem com você mesma.

Quase como um grande prêmio, por minha mudança de atitude e por ter voltado a amar e cuidar da mulher que existe em mim, tive o prazer de ser fotografada pelo grande artista Geraldo, no seu Projeto 100 retratos como Diana.

Hoje, tento a cada dia, manter este equilíbrio entre a Mãe e a Mulher , complexo e belo como deve ser!

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Um Dia na Cultura Amish (Amish People, Ohio)

Em nossa ultima viagem aos EUA, decidimos sair do óbvio com as meninas. Fomos visitar grandes amigos em Ohio e aproveitamos para conhecer algumas pequenas cidades e um pouco da cultura Amish.

Amish é um grupo religioso cristão anabaptista (ala radical da reforma protestante) baseado nos EUA e no Canadá. São conhecidos por seus costumes conservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos,  inclusive carros e telefones. Os Amish levam uma vida  muito saudável e regrada, praticam muita atividade física ( entre uma fazenda e outra observamos várias crianças em campos jogando “baseball”) , plantam o que consomem, com uma prática semelhante a nossa agricultura orgânica.

As meninas ficaram encantadas com a forma que eles se vestem, homens usam ternos e chapéus pretos e mulheres sempre com a cabeça coberta por um capuz branco e com um vestido preto. Todos se locomovem em carruagens ou bicicletas.

Estivemos em um restaurante para provar a culinária, gostamos muito, lembra bastante a culinária funcional.

Entrei em uma loja local com as meninas, com certeza os primeiros brasileiros que tiveram contato. Enquanto conversava com as duas que olhavam intrigadas centenas de roupas e chapéus exatamente iguais para venda, algumas mulheres Amish se cutucaram e nos rodeavam como se fôssemos de outro planeta. Conversam em um dialeto de origem Alemã.

Lemos a respeito dos costumes e crenças antes de visitá-los, para não cometer nenhum desrespeito, nem invasão. Umas das curiosidades e cuidado que tivemos é de não fotografa-los de frente,  os Amish não gostam de ser fotografados pois de acordo com a Bíblia, um cristão não deve manter sua própria imagem gravada.

Quando era mais nova fiquei curiosa e encantada com aquelas pessoas, roupas e costumes tão diferentes após ver o filme A Testemunha.

Foi dia muito rico, onde pudemos aprender e refletir bastante sobre a real necessidade de algumas “modernidades” em nossa vida. Apesar da visão radical comparada a nossa cultura, pude sentir uma grande harmonia e serenidade entre eles.

Uma dica diferente para quem viajar com a família e pensar em fugir daquele roteiro padrão nos EUA.

Filhos e Consumismo

Não nascemos consumistas, somos influenciados todos os dias pelas mídias e sem ver somos estimulados a consumir cada vez mais e de forma inconsequente.

As nossas crianças também influenciam diretamente nossas compras e segundo pesquisas, bastam 30 segundos para uma marca influenciar uma criança.

Quando estamos inseridos neste meio fica muito difícil resistir aos apelos e vontades de nossos filhos.

Desde que fui mãe, em decisão conjunta com meu marido optamos por tentar criar nossas filhas com regras rígidas em relação ao consumismo desnecessário. Elas sabem que não existe aqui em casa brinquedos fora de época, roupas e calçados se não houver a real necessidade de compra. Funciona mais ou menos assim: compra-se tênis se o tênis antigo não servir mais.

Outra regra que temos em casa é que quando entra um brinquedo ou uma roupa nova, sai brinquedo ou uma peça de roupa em bom estado para doação. Assim evitamos aquele acumulo desnecessário de objetos sem uso, além de passar para uma outra pessoa que pode estar precisando.

Abrimos o consumo quando elas querem livros, desde que o ultimo livro adquirido tenha sido finalizado. Doamos também com frequência alguns livros, deixando aqueles de preferência das meninas em casa.

Incentivamos e brincamos junto com as meninas de construir brinquedos com material reciclável. Meu marido possui vários peças e pedaços de produtos sem uso que reutiliza com elas.

Posso afirmar que até hoje essas regras tem dado bons resultados. Falar o NÃO hoje pode ajudar muito na formação e incentivo do consumo consciente no futuro.

Leia mais: Não compre, troque um brinquedo …

Sobre a mudança dos hábitos alimentares

Sei que estou longe de ser uma  Bella Falconi ,  mas como hoje me sinto infinitamente melhor após mudar o estilo e a forma de me alimentar, quero dividir com vocês minha experiência.

Até 38 anos de idade nunca havia preocupado muito com a qualidade e quantidade dos alimentos que comia, nem havia consultado uma nutricionista.  Assim que comecei a praticar o CrossFit, comecei perder peso e faltava energia para o esporte e para qualquer outra atividade. Minha alimentação era muito rica em carboidratos, muitos alimentos industrializados e pouca proteína.

A intenção deste post não é vender nenhuma dieta, até porque acredito que cada pessoa deve ter uma dieta adaptada a sua rotina, gostos e ao tipo de esporte que pratica. Não sou adepta de suplementos, passei por esta fase, mas hoje estou totalmente adaptada e alimentação mais natural possível, e como eu mesma cozinho, faço questão de que estes alimentos estejam nos pratos de minha família.

Basicamente, depois que decidimos dar preferência a alimentação mais saudável, trocando congelados, pratos prontos, por alimentos in natura, além de economizar bastante nas compras, toda família acaba sentindo a diferença.

No meu caso onde a mudança de hábito alimentar veio forçadamente após a mudança de estilo de vida e abandono do sedentarismo, o conjunto resultou em perda de peso, ganho de massa magra, melhora da pele, disposição, e comprovadamente mais saúde, já que meus check ups anuais estão cada vez melhores, hoje aos 40 anos. Meu marido também sentiu e aprovou todas estas mudanças. As crianças se adaptam, como sempre.

Acredito hoje, que nunca é tarde para começar um novo estilo de vida, buscando saúde, investindo em alimentos saudáveis para nossa família. Não sinto mais saudades da alimentação desregrada que tinha. Sinto prazer em me alimentar bem e adoro descobrir novos sabores e combinações quando estou cozinhando.

 

Devaneios de Mamãe….

Festa lotada, muitos gritos, criançada correndo para todo lado. Sentada, com minha tacinha na mão, tentando colocar um olho na filha e outro no papo das mamães à mesa.

Por um momento Lulu, na época com 7 anos, desaparece do meu raio de visão, levanto e por uns minutos tento encontra-la já um pouco aflita. A menina estava dentro de um brinquedo daqueles de “hamster”. Volto ao papo e aguardo o parabéns.

No dia seguinte ela segue calada, monossilábica. Tento conversar, mas Lu diz que não quer falar. Volta da escola, senta para fazer a  tarefa e começa a chorar. Nesta altura meu coração já esta disparado. Perguntei se algo havia acontecido na escola, ela responde que não. Depois de muita conversa sobre confiança, amor e tudo mais ela resolve falar:

“_ Mamãe, foi na festa ontem. Não queria falar, tenho vergonha, você vai ficar brava.”

Minha pressão vai ao chão, prometi que não brigaria com ela, mas que queria saber o que era. Minha imaginação pintou as piores cenas, dignas de Nelson Rodrigues. Maldita festa! Sabia que havia acontecido algo errado ali!

Com olhos marejados, eis que escuto a confissão:

“_ Mamãe, eu provei Coca Cola e gostei!”

 

Do sedentarismo ao CrossFit

Estava voltando das compras, sacola pesada nos ombros, muito cansada e apressada para chegar a tempo de buscar as meninas na escola.

Recebo da mão de um garoto um panfleto com algumas palavras sobre :”Qual a sua desculpa?” e um belo corpo suado, moldado em músculos. Era algo sobre um “box” de “CrossFit“.  Sabia muito pouco sobre o esporte, lembrava de relatos de “exaustão extrema”, talvez “treinamento de soldados”, pneus, pesos, etc…

Fiquei curiosa….

Cheguei em casa, decidi ligar e pedir informações sobre aula experimental. Já havia passado por várias aulas tradicionais em academias. Detestava todas! Não entendia de onde vinha tanta empolgação e gritaria por tão pouco. Contei alguns anos em minha cabeça, tentando lembrar quanto tempo não fazia exercícios regulares. Long time ago!

38 anos, diastase abdominal gigante, fruto de vários kilos que ganhei e depois perdi durante as gestações. Muita, muita flacidez em todo corpo, fadiga, e baixa auto estima. Era assim que estava e não queria mais ficar. E lá fui eu, no dia seguinte, fazer a tal da aula experimental.

Ao chegar ao box me deparei com um local bem diferente das academias. Sem espelhos,(adorei já que não estava muito amiga deles), algumas cordas, pesos, anilhas, barras, caixas de madeira e argolas.

O “coach” com uma barba gigante negra, cabeça raspada e cara de bravo fez algumas perguntas sobre meu passado no esporte e o que eu esperava de lá.

Finalizei o treino (se é que posso dizer isso) e nitidamente senti que estava muito fora de forma. Os colegas de lá, com muito alto astral, tentavam me motivar. Energia diferente. Fiquei exausta mas interessada. Assim foi, por pelo menos um mês.

Na primeira semana demorava dois minutos para sentar no vaso sanitário e mais dois para levantar, tamanha dor muscular. Mas, conforme o tempo foi passando, fui sentindo cada vez mais motivada a vencer cada desafio, aprender cada movimento, levantar cada peso e SUPERAR meus limites. Fui secando e comendo cada dia mais.

O CrossFit me ensinou que eu consigo fazer tudo que eu quiser, basta dedicar e repetir até aprender. Hoje faço movimentos que nunca sonhei poder executar, tenho uma mobilidade e força que nunca imaginei conquistar. Meu corpo é muito mais harmonioso e definido do que aos 20 anos, quando praticava exercício também. Não sinto a fadiga, estou feliz com o que vejo no espelho, e de quebra resolvi anos de dores nas costas causadas pela flacidez abdominal e lombar.

Hoje minha alimentação é um misto de low carb, funcional e bom senso!  Como ganhei muita massa muscular tive que mudar a alimentação que tinha, que era baseada em carboidratos e muito lixo.

Já entrei no terceiro  ano de prática do esporte, sem lesões durante a prática, com maturidade, bom senso e bem assessorada,  ninguém se machuca!

Hoje sou muito mais feliz, disposta e quero muito que outras mães sigam este caminho da prática de esportes.  O sedentarismo é muito mais grave do que a gente pode imaginar. Envolve saúde, amor próprio, problemas emocionais e as vezes é a maior causa de muitos conflitos e problemas que vivemos. Eu decidi recomeçar, esta sendo maravilhoso para minhas filhas, que hoje tem a mãe muito mais disposta, menos ansiosa, mais feliz; para meu marido que hoje tem uma mulher que se ama, e principalmente para mim que me reinventei após todos estes anos em segundo plano.

Mamãe Raiz, quem sou eu.

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Sou Carolina, 41 anos, casada e mãe de duas meninas, uma com 11 anos e a caçula com 7 anos. Resolvi escrever o blog para relatar de forma irreverente e positiva estes anos de maternidade vivida de forma integral e real, já que assumi a casa e parei de trabalhar fora, assim que minha segunda filha nasceu.

Foi tudo planejado, estudado e desejado por mim e meu marido, já que a profissão dele exige que esteja sempre fora de casa.

Sou formada em  Zootecnia  e trabalhei como pesquisadora na área, assim que me formei. Logo que casei, tive a oportunidade de trabalhar como secretária bilíngue em uma obra com grandes empresas e uma multinacional, onde trabalhei com estrangeiros e aprendi muito. Também montei e toquei uma franquia de lavanderia durante alguns anos, até decidir vender e ficar somente no emprego. Neste intervalo nasceu minha primogenita, fiquei um tempo parada. Tive uma leve depressão pós parto, tratei, e resolvi voltar ao mercado. Trabalhei novamente como secretária, mas desta vez para um membro da Secretaria do Governo de Minas, e logo depois para outra empresa de engenharia, que era mais meu perfil.

Engravidei de minha segunda filha, planejada também, assim como havia decidido parar de trabalhar e virar mãe em tempo integral pelo tempo que pudesse a achasse necessário.

Desde então, nestes últimos 6 anos em casa, tenho passado por varias experiências, aprendizados, erros e acertos. Vivi períodos de baixa auto estima, crises existenciais, dúvidas e culpas, assim como também consegui sair e driblar quase tudo isso e acredito que dividir experiencias é sempre um excelente caminho para todas as pessoas que compartilham tudo isso.

Adoro viajar sempre com a família, voltei a praticar esportes depois de longos anos de sedentarismo (um dos motivos deste blog é contar a experiência e como isso me ajudou no processo de melhorar minha qualidade de vida e auto estima), também adoro criar receitas saudáveis e estar presente em cada momento de minhas filhas.

Espero poder dividir de forma positiva e alegre minhas vivências e desta forma contribuir com a experiência maravilhosa e poderosa que é a MATERNIDADE.