Minha filha agora é vegetariana

Estava cursando a faculdade de Zootecnia quando decidi parar de comer “mamíferos”.

A decisão foi tomada durante uma visita monitorada a um abatedouro de bovinos com alto padrão de exigência, onde a carne em sua maioria era para exportação. Mesmo sendo um abatedouro de alto nível eu fiquei extremamente tocada e angustiada ao ver aqueles animais em fila indiana, aos berros, aguardando a hora do tiro na testa.

Mesmo comendo desde então somente aves, peixes e frutos do mar, em comum acordo com meu marido, decidimos que incluiríamos todo tipo de carne na dieta das meninas, deixando a opção por conta delas no futuro.

As duas nunca foram fãs de carne “vermelha”, para que comessem um pouco e de vez em quando eu disfarçava muitas vezes, cozinhando junto ao feijão. Luana nunca gostou de carne, mas gostava um pouco de frutos do mar, principalmente os camarões. Começou a rejeitar com mais força aos 10 anos de idade. Eis que um dia, aos prantos, deu um basta pedindo para que não insistissem mais que ela comesse qualquer “bichinho”  pois ela estava sentindo muito mal com isso.

Confesso, que mesmo com toda minha crença, com toda a pena que sempre senti dos animais, fui surpreendida! Muito por toda “lenda” que plantam em nossas cabeças desde cedo sobre a alimentação vegetariana e as possíveis consequências da falta de carne na dieta.

Pedi para que ficasse calma pois eu não forçaria nada. Peguei o celular e conversei com o pediatra dela que me disse que, desde que não parasse com ovo e leite não tinha problemas maiores.

Resolvi mesmo assim marcar uma consulta com um nutrólogo pediátrico.

Fizemos alguns exames de sangue e bioimpedancia, e não detectamos nenhum problema nem necessidade de suplementação no momento, somente a vitamina “d”que não depende desta opção.

Fui orientada em relação a dieta e confesso que esta sendo bem tranquilo até agora. Encontrei uma Mercearia vegana na cidade onde encontro muita opção vegetariana e vegana, além de conseguir muitas receitas gratuitas pela internet , ebooks com receitas e livros.

Todos em casa consequentemente estão consumindo bem menos carne, o que de todo eu acredito que é muito positivo.

Retiro o trecho a seguir da Coluna da Revista Época,escrita pela Jornalista Letícia Sorg:

“Com as discussões sobre a relação da carne com problemas de saúde e com o aquecimento global, é ainda mais provável que os jovens escolham a nova dieta, em geral diferente da dos pais. E são os pais que devem se preparar para lidar com a novidade. O médico Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da USP e responsável pela nutrologia do Hospital das Clínicas, esclarece algumas dúvidas que podem surgir na cabeça dos pais quando os filhos decidem deixar de comer carne.

Acontece de os pais não aceitarem a decisão do filho?
Dan Waitzberg –
 Isso é uma questão de dinâmica familiar. É preciso que haja um ambiente de respeito ao adolescente, que é muito salutar para o desenvolvimento da mente dele. Geralmente o jovem decide parar de comer carne junto com um grupo de amigos na escola. É muito difícil que ele faça isso sozinho. Então a recomendação para a família é entender, porque o adolescente não está propondo nenhum absurdo, e tentar acomodar isso dentro do convívio.

Os pais devem tentar dissuadir o filho de adotar o vegetarianismo?
Não acho que devam tentar. A Sociedade Americana de Pesquisa sobre o Câncer recentemente publicou que devemos ingerir 300 gramas de carne vermelha por semana. O brasileiro come isso num almoço. Uma churrascaria ultrapassa até o limite semanal. E é reconhecido que a ingestão exagerada de carne está relacionada a vários problemas futuros, como doenças cardiovasculares e câncer. Existe também um outro ponto de vista que relaciona a ingestão de carne ao aquecimento global. Tem o ponto de vista de saúde, o ponto de vista social. O que eu friso do ponto de vista da saúde é que a opção pelo vegetarianismo não pode ser encarada de maneira amadora. Ou seja, se a pessoa tomou essa decisão, tem que buscar conselho de nutricionista, de nutrólogo, para desenhar um cardápio diário.

Existe algum risco relacionado ao vegetarianismo entre adolescentes?
Os problemas maiores obviamente vão acontecer com os vegans (aqueles que não comem nenhum derivado animal, nem leite nem ovo), porque as crianças estão numa fase em que precisam de alguns nutrientes em uma certa quantidade que nem sempre é possível obter facilmente pela dieta vegetariana. É possível, mas tem que ter um acompanhamento de um médico nutrólogo, que vai avaliar as curvas de peso e altura, e de uma nutricionista, que vai prescrever uma dieta diária com base na idade, nas atividades e em outras características do paciente. Pode também haver necessidade de reposição nutricional, por exemplo, entre meninas que têm bastante fluxo menstrual. Elas podem necessitar mais de ferro, ácido fólico e vitamina B12. Entre os adolescentes que se dedicam seriamente aos esportes, é também importante observar que eles precisam de mais vitaminas e minerais. Então os cardápios têm que ser bem avaliados e, mesmo que a dieta seja adequada, pode ser necessária a suplementação.

Existe alguma idade mínima para adotar o vegetarianismo?
Os filhos de vegan convictos, por exemplo, mamam o leite materno até mais tarde e, depois, vão começando a se alimentar só com os vegetais. Mas tem que saber muito bem como fazer, com conselho de pediatras, que vão acompanhando e recomendando, também, os suplementos que todo bebê têm que tomar, de vitamina A. O vegetarianista consciente hoje não é um fanático. É um sujeito consciente, que quer manter uma boa saúde evitando os alimentos de origem animal. O ovo-lacto-vegetariano não tem o menor problema porque consegue suprir todas as necessidades proteicas e de vitaminas com a alimentação. O mais delicado é o vegan.

Qual é o principal desafio para os pais de vegetarianos?
Um dos problemas é que é muito fácil falar coma determinados alimentos. O complicado é preparar a nova dieta. A família precisa se reestruturar para suprir as necessidades do filho vegetariano. Não é nada impossível, mas a mãe vai ter que aprender métodos de preparo diferenciados. Talvez os outros filhos não queiram o mesmo e o filho vegetariano vai ter que entender que, na mesma mesa, os outros vão comer carne e outros derivados. Mas com conversa e entendimento, isso é perfeitamente possível.”

Leia mais:

Sociedade Vegetariana Brasileira

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