Reflexões na sala de espera

 

Estou sentada aguardando minha vez de ser atendida em uma Clínica de Imagens. Exame de rotina pra verificar se meu DIU se encontra no local correto (costumo checar a cada 6 meses com meu médico), como já aconteceu anteriormente do Mirena se deslocar, não deixo de fazer o exame para ter certeza da eficácia do método.

Algumas futuras mamães aguardam ao meu lado, uma delas chegou com seu andar cambaleante e a barriga bem grande, provavelmente nas ultimas semanas de gestação, pés inchados e um livro  “Auto-Estima do seu Filho” a tira colo.

A mulher sorridente não para de alisar a própria barriga enquanto faz a leitura do seu livro, ao lado do companheiro que também acarinha a barriga com ternura. Mais adiante observo uma moça mais jovem, barriga também grande, sem aliança nos dedos, que tecla com um semblante de preocupação, muito irritada e nervosa. Cada criança que vai nascer precisa de alguma forma destas famílias que escolheu, assim acredito.

Já estive naquela sala de espera algumas outras vezes…

Acompanhei a gestação de minha primeira filha, ainda muito insegura, sem saber o que seria da minha vida após a maternidade. Lembro de observar outras mães que aguardavam assim como eu, cada uma em uma fase. Já presenciei choro e minha mente fértil  sofreu a perda com aquela mulher desconhecida. Lembro das primeiras batidas de coração que escutamos, da ansiedade da espera da Translucência Nucal,  da expectativa da descoberta do sexo!

Já estive ali aguardando angustiada, sem saber se aquele sangramento após a descoberta da gravidez recente indicaria a interrupção da mesma. Escutei do meu médico que meu temor era real (parecia um pesadelo) mesmo assim ele tentava me consolar mostrando que eu já estava ovulando novamente. Ele provavelmente sabia que a tentativa de me deixar menos triste naquele momento era em vão e o que eu mais precisava naquele momento era deitar em minha cama e chorar bastante.

Nestas mesmas cadeiras acompanhei a gestação da minha segunda filha. Muito mais ansiosa que a primeira vez. Desta vez havia o medo de que a gravidez não fosse à diante como a anterior. Chegava a ficar em apnéia e enquanto não escutava a batida do coração do bebe, tentava me distrair com os movimentos do aparelho no gel gelado em minha barriga, e por um momento era capaz de acreditar ser capaz de calar o meu próprio coração!

Agora, voltando ao presente, na sala de espera, sinto um misto de saudades e alívio. Saudades da sensação de que a vida dentro da minha barriga me pertence e que tudo esta de certa forma sobre meu controle (doce ilusão). Alívio em pensar que a fase de incertezas e surpresas intrauterinas também estão no passado, dando lugar para outras épocas de surpresas e incertezas, mas desta vez podendo dividir e discutir com as duas filhas que não se cansam de crescer.

Me pego sorrindo e abraçando cada mulher da sala de espera.

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Autor: mamaeraiz

41 anos. Casada. Mãe de duas meninas. Formada em Zootecnia, já fui Pesquisadora, Secretária Executiva, Escritora, Proprietária de Franquia, Artesã e hoje Mãe e Dona de Casa. Adoro viajar em família, cozinhar e praticar CrossFit. Tento levar minha vida de forma leve, cada dia aprendendo mais e vendo o lado positivo da maternidade. Tentando descobrir novos caminhos e possibilidades, que a vida de uma mulher que resolveu abrir mão de trabalhar fora e abraçar integralmente sua família, pode trazer!

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