Filhos e tecnologia, um desafio para toda família

 

Que nossos filhos preferem os tablets, celulares e jogos eletrônicos às bicicletas, bolas e bonecas já sabemos e além disso, estamos presenciando o uso cada vez mais cedo da internet, por crianças em todas as casas.

Um estudo feito pela organização britânica Internet Matters com 1.500 famílias, descobriu que, hoje em dia, 48% das crianças de 6 anos fazem uso dessas tecnologias e 41% delas acessam a internet sem nenhuma supervisão dos pais.

A mesma pesquisa revelou que 44% das crianças entrevistadas utilizam a internet dentro do próprio quarto e 27% ficam online fora de casa. Além disso, 32% utilizam os serviços de mensagem instantânea para se comunicar (como o WhatsApp).

Após a conclusão do estudo, a organização britânica se posicionou: “Isso só mostra o quão rápido é o ritmo de mudança no mundo da tecnologia e o quão vital é que os pais criem mecanismos de segurança e entendam alguns dos riscos que existem quando a criança fica online”

Por mais que este contato de nossos filhos com a internet seja inevitável, é importante refletirmos sobre  tempo de uso, conteúdos que estão acessando e quais os benefícios e os riscos envolvidos.

A seguir listamos algumas recomendações gerais da Academia Americana de Pediatria para os pais sobre este assunto:

– Promova pelo menos uma hora diária de brincadeiras e atividades que façam a criança se movimentar.

– Deixe claro ao seu filho o limite de uso diário de cada equipamento com tela.

– Não permita que a criança durma com tablet ou smartphone por perto.

– Ensine a criança a evitar uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir.

– Desencoraje o uso de eletrônicos enquanto a criança faz tarefas escolares.

– Estabeleça momentos em família como “livre de telas”. Pode ser, por exemplo, o jantar em família, para estimular que todos conversem.

– Converse sobre bullying virtual com seu filho e ensine sobre os perigos da internet.

Sempre fui apaixonada por tecnologia, acho que a facilidade e riqueza de informações disponibilizadas podem ser muito positivas, desde que haja cautela e filtros não somente no computador mas também em nossa cabeça e consciência, tendo sempre o cuidado de verificar e pesquisar fontes antes de sair divulgando qualquer coisa. Aqui em casa estipulamos algumas regras quanto ao uso da internet, para minhas duas filhas de 11 e 7 anos:

1. Não usar tablet, celular e computador nos quartos.
permitimos o uso, dentro dos horários que combinamos na sala, onde consigo monitorar tempo e conteúdo. Tenho a senha de acesso de todos aparelhos e tenho o costume de verificar histórico de pesquisas e conversas. Não faço escondido, elas sabem disso e só baixam aplicativos com minha permissão. Explico e converso sobre o risco de contatos e pedofilia na internet, adaptando as discussões de acordo com a  idade das meninas.

2. Conversamos sobre vídeos e canais que estão assistindo no Youtube.
Busco saber detalhes sobre conteúdo e canais que elas andam assistindo. Vejo vídeos ao lado das duas e acredite, algumas vezes pode ser divertido. Adoramos canais como : Manual do MundoJapão nosso de cada dia; e vários outros.

4. Tempo de uso do computador e da internet
Não permito que passem horas em um tablet, deixamos em torno de uma hora seguida, depois desligamos. Horário limite, para uso de aparelhos eletrônicos, é 20 horas, uma hora antes de deitar.

5. Cuidado e supervisão em redes sociais

A filha mais velha sabe as regras antes de postar fotos na rede social, converso sobre super exposição e cuidados.

6. Filtros de internet

Google SafeSearch

Norton Family

Youtube

Sei que mesmo monitorando e tendo alguns cuidados, ainda assim não conseguimos ter todo o controle em nossas mãos. A maior arma pode ser uma relação com os filhos com diálogos, trocas e abertura. Não podemos deixar de estar atentos e achar que a tecnologia nas mãos das crianças é algo inofensivo e seguro como um cubo mágico.

Steve Jobs, que foi CEO da Apple até sua morte em 2012, revelou em uma entrevista ao New York Times em 2011 que havia proibido seus filhos de usarem o recém-lançado iPad.

Nós limitamos a quantidade de tecnologia que nossos filhos usam em casa”, contou Jobs ao repórter Nick Bilton.

Os filhos de Jobs já terminaram a escola, por isso é impossível saber como o cofundador da Apple reagiria à tecnologia na educação, também conhecida como “edtech”.

Convenhamos que as armadilhas da tecnologia, excesso de informações e redes sociais podem ser extremamente perigosas até mesmo para pessoas maduras como nós, que dirá para crianças?!

 

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Entendendo um pouquinho mais sobre a primeira infância

 

“Grande é a poesia
A bondade
e as danças.
Mas o melhor do mundo são as CRIANÇAS.”

 (Fernando Pessoa)

 

Provavelmente todos nós concordamos com Fernando Pessoa: as crianças, em qualquer lugar e a qualquer hora, conseguem surpreender com as suas palavras, atos, ações, sonhos e fantasias. Tudo aquilo que vivem na infância, as experiências sociais, afetivas, intelectuais, desportivas e artísticas que experimentam, as relações que estabelecem, determinam o adulto que serão no futuro, os valores, crenças e atitudes que a conduzirão ao longo da vida.
Para uma professora da Educação Infantil, mais especificamente do Maternal apaixonada, falar sobre o desenvolvimento da criança de 0 até 3 anos é descortinar este mundo mágico descrito por Fernando Pessoa. É refletir sobre a mudança constante de estruturas que se alternam a cada instante e de desafios que surgem entre o cansaço da repetição e a coragem de enfrentar/desafiar o novo.

Considerada como primeira infância os três primeiros anos de vida são os que, em boa parte, ajudarão a definir quem será o adulto no futuro. Com  as descobertas da neurociência, não mais se discute que o período que se estende do nascimento até os dois anos de idade é aquele no qual o desenvolvimento do cérebro,  vivência o seu ápice e forma metade dos trabalhos da inteligência humana.

De acordo com a teoria piagetiana, até os dois anos de idade, a criança vive o período sensório-motor em que a aquisição do conhecimento acontece por meio dos sentidos. A criança tem sensações e descobre o mundo através do deslocamento de seu corpo. A emoção é o principal canal de interação, por isso é muito importante que todas as experiências ofertadas sejam baseadas em situações de segurança, de vínculo e de afeto, ressaltando a importância do impacto das ações e emoções dos pais sobre a vida do filho e lembrando que as ações e emoções transmitidas para a criança falam muito mais do que palavras.

O filho imita os pais em tudo, capta a emoção deles do momento. Se os pais estão bem ou se estão estressados, o filho vai captar e reproduzir essas atitudes.

Nessa idade a criança começa a reconhecer cores e formas. Procura e encontra objetos que guardou. Prefere brinquedos que consiga empurrar, puxar, encaixar e explorar com os dedos. Adora descobrir como as coisas funcionam. Os pais podem achar que é descuidada, que estraga brinquedos, mas na verdade está tentando entender o funcionamento. Por isso, sucata e brinquedos de madeira, resistentes e de plástico (com os devidos cuidados com peças pequenas) são ideais para atender a essa curiosidade.

Dos dois aos três anos a coordenação fina está mais segura e é, geralmente, nessa época que a lateralidade (destra ou canhota) normalmente se define. Reconhece a imagem de seu próprio corpo diante do espelho, passa a fazer brincadeiras enquanto observa seu reflexo, aprende a reconhecer as características físicas e começa a construção de sua identidade.

É uma fase na qual a criança começa a descobrir o prazer em brincar com o outro. O egocentrismo (acredita que tudo o que acontece é em função dela) começa a dar lugar ao processo de socialização. Aceita a diversidade e a convivência numa sociedade multicultural. Por isso, o momento é propício para trazer uma educação livre de preconceitos, ensinando o respeito as diferenças.

A rotina e a previsibilidade dos acontecimentos, são parte do esforço da criança para compreender e controlar o seu mundo. Manter uma ordem de atividades a cada dia a ajuda saber o que está vindo em seguida, dando-lhe uma sensação de controle e segurança. Quando não há rotina/programação feita junto com a criança, é muito provável que o choro e a irritação apareçam de forma incontrolável.

A brincadeira de faz de conta torna-se seu melhor instrumento de aprendizagem, porque permite que simbolize o que sente e elabore seus conflitos, recriando experiências do seu dia a dia, representando o imaginário no mundo real, utilizando suas habilidades cognitivas e motoras. É nesta fase que as bonecas viram filhas, gostam das tintas, do barro, dos restos de papel e raspas de madeira, da areia, da água e da massa de modelar.

A linguagem ainda está em desenvolvimento e o vocabulário já é bastante extenso. Consegue comunicar-se com perfeição, por isso, a conversa, a música, a leitura e contação de histórias são fundamentais.

Na verdade, para uma professora da Educação Infantil, mais especificamente do Maternal apaixonada, cada etapa/idade é única e não volta mais.

É preciso curtir cada criança e aproveitar cada fase sem ansiedade, evitando esperar resultados que ela ainda não está madura para tal.

É importante que ofereçamos condições para que todas cresçam felizes e saudáveis física, emocional e cognitivamente!

 

Marita Fonseca Rodrigues Gastin é mãe, Pedagoga, pós graduada em Educação Infantil e Psicopedagogia Clínica e Institucional. Professora de Educação Infantil com 33 anos de experiência em sala de aula e apaixonada pela profissão, encantada por lecionar para a primeira infância onde acredita que uma base bem feita fará toda a diferença no futuro da criança.  

Terror noturno infantil; nossa experiência

 

Existe um assunto que é quase sempre citado nas rodas de conversas  e em grupos de mães que participo nas redes sociais: sono infantil, ou melhor dizendo “problemas” relacionados a noite de sono de nossos filhos.

Como todos sabem, tenho duas filhas e noites mal dormidas sempre fizeram parte de nossa rotina, hoje com as idades de 7 e 11 anos posso ainda contar nos dedos as noites as quais durmo sem nenhuma interrupção.

Mas decidi escrever hoje sobre um assunto em particular, que assombrou nossas noites durante vários meses até o diagnóstico correto e posterior tratamento com sucesso: terror noturno.

Uma noite, marido viajando,  acordo no meio da madrugada com a filha na época com 5 anos gritando muito e chorando, não falava frases claras, somente palavras soltas.  Depois de várias tentativas de acalma-la abraçando, sem nenhum sucesso, acabei acendendo as luzes e ela continuava de olhos abertos, chorando muito e nada que eu falava fazia ela parar. Quando tentava abraça-la, mais ela gritava e se debatia. Suando frio e apavorada, comecei a orar e pedir a Deus para acabar com aquilo. Após mais ou menos 10 minutos ela parou e quando eu questionei o que havia acontecido ela respondeu que não se lembrava de nada. Dormiu até a manhã seguinte e eu estava muito angustiada e sem entender tudo  aquilo para conseguir dormir.

Esses episódios ocorriam umas 4 vezes por semana, duravam cerca de 10 minutos e uma vez por noite, nunca repetiam. Meu marido também ficava muito atormentado quando presenciava os episódios.

Comecei a ler sobre pesadelos, sonambulismo e orar muito (apesar de acreditar em várias teorias de fundo espiritual eu queria buscar também explicações de fundo  científico ou psicológico para aquilo).

Sabia que em nossa família estávamos em uma fase tranquila, ou seja nada para justificar aquele comportamento, chequei também na escola se tudo estava bem, mesmo sabendo que durante o dia ela estava alegre e dentro da normalidade dela. Resolvi conversar com o pediatra que a conhecia desde bebê e ele na mesma hora bateu o martelo: sua filha está tendo episódios de terror noturno.

Explicou que ao tentar acalma-la abraçando eu só piorava a situação e o certo era aguardar ao lado, sem interagir para certificar que ela não se machucaria durante a crise. Pude verificar que realmente o tempo de duração dos gritos diminuía sem a minha interação.

Segundo reportagem do site Bebe Abril   a hipótese mais aceita é a de que o terror noturno tem a ver com o desenvolvimento do sistema nervoso central. É como se o cérebro ainda não estivesse suficientemente maduro para realizar a transição entre o sono e o despertar. Por isso, a criança fica em um “limbo” entre o dormir e o acordar. Em geral, pais que falam à noite ou são sonâmbulos têm filhos com terror noturno.

A psiquiatra Júnea Chiari  completa no site Oficina de Psicologia: “Embora não tenha uma causa definida, existe uma forte ligação genética e familiar, geralmente ocorrendo em vários membros da mesma família.

É bastante normal para uma criança ter terrores durante o sono e normalmente não necessita de nenhum tratamento médico, apenas orientação aos pais. Nas crianças, ele tende a ir embora por conta própria quando eles entram na adolescência. Os pais ou acompanhantes devem simplesmente vigiar de perto, sabendo que aquela crise irá passar e seu filho voltará a dormir tranquilamente. Raramente há riscos de lesões graves, mas pode haver um constrangimento quando essa criança ou adulto dorme fora de casa, podendo afetar muito suas relações com os outros.”

No nosso caso optamos por agir e não aguardar o tempo curar o mal, buscamos um tratamento apoiado na medicina antroposófica, ela tomava gotas pela manhã e a noite receitadas por uma pediatra da linha homeopática. Com cerca de 10 dias de tratamentos os episódios foram diminuindo de frequência, e com um mês de tratamento eles cessaram. Um alívio gigantesco para todos nós.

Leia mais:

http://www.pediatriaemfoco.com.br/posts.php?cod=80&cat=4

http://www.marisapsicologa.com.br/terror-noturno.html

https://brasil.babycenter.com/a3400227/terror-noturno

 

A descoberta da ambliopia e o uso do tampão (oclusor)

 

Resolvi levar Sofia na oftalmologista por achar que estava na hora, havia até passado um pouco do tempo, 6 anos e nenhuma desconfiança sobre possíveis problemas de visão. Sempre atenta na escola, assistia filmes na TV, tablet e cinemas sem nenhuma queixa.

Eventualmente reclamava de dores de cabeça, mas como estava sempre em tratamento por causa de uma sinusite que sempre ia e voltava, os médicos também se confundiam e encontravam na sinusite a possível causa da dor.

Sentada e tranquila observava o exame de Sofia e a leitura das fileiras de letras que ia diminuindo cada vez mais e ela conseguia ler sem dificuldades. Bem, chegou a vez do outro olhinho. As letras garrafais surgiram e Sofia estava muda. Não acertou nenhuma!

Eu mal acreditava no que via, Sofia estava cega de um olho?  Como eu não pude perceber? Foi tanta aflição, minha pressão estava no chão mas não podia transparecer meu medo para minha filha que sem entender o que acontecia me olhava tentando buscar alguma explicação naquela novidade que ali surgia.

A médica então começou a explicar tentando me acalmar e tirar um pouco da culpa que eu estava sentindo por não ter notado antes o que estava acontecendo com minha filha.

Sofia enxerga bem com um olho e quase nada com o outro, pelo que a médica explicou o cérebro da criança “esquece” aquele olho que enxerga mal  e usa somente o olho bom.

Esse problema normalmente pode ser causado por estrabismo ( um olho desalinhado em relação ao outro), pelo diferença grande de “grau” de um olho para o outro ou por causas menos comuns como catarata congênita, ptose (pálpebra caída) ou outros problemas de córnea.

Quando um olho da criança não “apreende a enxergar” chamamos de ambliopia. Esta alteração pode normalmente ser tratada até os sete anos de idade. Ou seja, descobrimos no limite!

O caso de ambliopia da Sofia foi causado por uma hipermetropia bem alta.

No caso especifico dela, a médica decidiu ajudar o olho “preguiçoso” a melhorar a visão com o uso de tampão por seis horas diárias. Tapamos o olhinho bom, obrigando a Sofia a enxergar com o olho que não enxerga bem. Desta maneira o cérebro desenvolve a visão do olho ruim.

Em poucos meses de uso já conseguimos uma melhora de visão significativa, uma grande vitória, ainda mais sabendo que se não tivesse descoberto a tempo de tratamento ela correria o risco de perder a visão.

O uso do tampão não é fácil para a criança, Sofia ficou tristonha e muito desmotivada no começo, hoje esta reclamando bem menos. A médica optou pelo uso em casa e não durante o período da escola. Fica o alerta, pois nem sempre problemas de visão são facilmente notados na infância e o testemunho de que vale a pena persistir nos tratamentos.

Saiba mais: 

http://oftalmologia-pediatrica.eu/pagina,131,148.aspx

http://cbco.com.br/doencas/ambliopia/

https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/oftalmologia/ambliopia/

https://www.infoescola.com/doencas/ambliopia/