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Entendendo um pouquinho mais sobre a primeira infância

 

“Grande é a poesia
A bondade
e as danças.
Mas o melhor do mundo são as CRIANÇAS.”

 (Fernando Pessoa)

 

Provavelmente todos nós concordamos com Fernando Pessoa: as crianças, em qualquer lugar e a qualquer hora, conseguem surpreender com as suas palavras, atos, ações, sonhos e fantasias. Tudo aquilo que vivem na infância, as experiências sociais, afetivas, intelectuais, desportivas e artísticas que experimentam, as relações que estabelecem, determinam o adulto que serão no futuro, os valores, crenças e atitudes que a conduzirão ao longo da vida.
Para uma professora da Educação Infantil, mais especificamente do Maternal apaixonada, falar sobre o desenvolvimento da criança de 0 até 3 anos é descortinar este mundo mágico descrito por Fernando Pessoa. É refletir sobre a mudança constante de estruturas que se alternam a cada instante e de desafios que surgem entre o cansaço da repetição e a coragem de enfrentar/desafiar o novo.

Considerada como primeira infância os três primeiros anos de vida são os que, em boa parte, ajudarão a definir quem será o adulto no futuro. Com  as descobertas da neurociência, não mais se discute que o período que se estende do nascimento até os dois anos de idade é aquele no qual o desenvolvimento do cérebro,  vivência o seu ápice e forma metade dos trabalhos da inteligência humana.

De acordo com a teoria piagetiana, até os dois anos de idade, a criança vive o período sensório-motor em que a aquisição do conhecimento acontece por meio dos sentidos. A criança tem sensações e descobre o mundo através do deslocamento de seu corpo. A emoção é o principal canal de interação, por isso é muito importante que todas as experiências ofertadas sejam baseadas em situações de segurança, de vínculo e de afeto, ressaltando a importância do impacto das ações e emoções dos pais sobre a vida do filho e lembrando que as ações e emoções transmitidas para a criança falam muito mais do que palavras.

O filho imita os pais em tudo, capta a emoção deles do momento. Se os pais estão bem ou se estão estressados, o filho vai captar e reproduzir essas atitudes.

Nessa idade a criança começa a reconhecer cores e formas. Procura e encontra objetos que guardou. Prefere brinquedos que consiga empurrar, puxar, encaixar e explorar com os dedos. Adora descobrir como as coisas funcionam. Os pais podem achar que é descuidada, que estraga brinquedos, mas na verdade está tentando entender o funcionamento. Por isso, sucata e brinquedos de madeira, resistentes e de plástico (com os devidos cuidados com peças pequenas) são ideais para atender a essa curiosidade.

Dos dois aos três anos a coordenação fina está mais segura e é, geralmente, nessa época que a lateralidade (destra ou canhota) normalmente se define. Reconhece a imagem de seu próprio corpo diante do espelho, passa a fazer brincadeiras enquanto observa seu reflexo, aprende a reconhecer as características físicas e começa a construção de sua identidade.

É uma fase na qual a criança começa a descobrir o prazer em brincar com o outro. O egocentrismo (acredita que tudo o que acontece é em função dela) começa a dar lugar ao processo de socialização. Aceita a diversidade e a convivência numa sociedade multicultural. Por isso, o momento é propício para trazer uma educação livre de preconceitos, ensinando o respeito as diferenças.

A rotina e a previsibilidade dos acontecimentos, são parte do esforço da criança para compreender e controlar o seu mundo. Manter uma ordem de atividades a cada dia a ajuda saber o que está vindo em seguida, dando-lhe uma sensação de controle e segurança. Quando não há rotina/programação feita junto com a criança, é muito provável que o choro e a irritação apareçam de forma incontrolável.

A brincadeira de faz de conta torna-se seu melhor instrumento de aprendizagem, porque permite que simbolize o que sente e elabore seus conflitos, recriando experiências do seu dia a dia, representando o imaginário no mundo real, utilizando suas habilidades cognitivas e motoras. É nesta fase que as bonecas viram filhas, gostam das tintas, do barro, dos restos de papel e raspas de madeira, da areia, da água e da massa de modelar.

A linguagem ainda está em desenvolvimento e o vocabulário já é bastante extenso. Consegue comunicar-se com perfeição, por isso, a conversa, a música, a leitura e contação de histórias são fundamentais.

Na verdade, para uma professora da Educação Infantil, mais especificamente do Maternal apaixonada, cada etapa/idade é única e não volta mais.

É preciso curtir cada criança e aproveitar cada fase sem ansiedade, evitando esperar resultados que ela ainda não está madura para tal.

É importante que ofereçamos condições para que todas cresçam felizes e saudáveis física, emocional e cognitivamente!

 

Marita Fonseca Rodrigues Gastin é mãe, Pedagoga, pós graduada em Educação Infantil e Psicopedagogia Clínica e Institucional. Professora de Educação Infantil com 33 anos de experiência em sala de aula e apaixonada pela profissão, encantada por lecionar para a primeira infância onde acredita que uma base bem feita fará toda a diferença no futuro da criança.  

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