O que ensinamos aos nossos filhos quando gritamos?

Resolvi escrever sobre este assunto não porque sou uma mãe perfeita, daquelas mulheres serenas que nunca se alteram e levantam o tom de voz. Detesto gritar com as meninas, mas uma vez ou outra, com muito pesar confesso, que isso acontece aqui em casa. Mas tenho uma meta interna de lutar comigo até chegar ao ponto de não fazer mais.

Já sabemos que as pesquisas dizem que dar palmadas nos filhos pode provocar neles comportamentos agressivos. Só que, em “substituição” destas palmadas, muitas vezes ao sair do sério nosso primeiro recurso é gritar com os filhos.

A pior forma de gritos são aqueles que envolvem insultos e xingamentos. Existe até uma pesquisa que mostra que esse tipo de gritaria é mais prejudicial do que as próprias palmadas.

Quando estes gritos acontecem muito raramente, em uma situação extrema, ok, pedimos perdão e seguimos em frente, mas se o grito é o caminho para tentar educar em nossa casa ou a maneira de fazer com que nossos filhos nos escutem, estamos indo muito mal.

Muitas vezes o que irão  aprendem é que você pode gritar para deixar alguém mais frágil e somente assim ele irá conseguir a atenção de alguém. Nossos filhos aprendem que podem tratar aqueles que são menores ou mais fracos desta forma, intimidando, aos gritos porque assim será escutado.

E não devemos nos surpreender se virmos nosso filho gritando com o irmão, colegas e amigos pois ele aprendeu isso em casa.

Nos incomoda muito quando alguém grita com a gente porque parece desrespeitoso, grosseiro e agressivo, para nossos filhos também!

Com a diferença de que eles nos amam e nos idolatram, nos tem como exemplo e pensam que tudo o que fazemos é ótimo, e deve ser repetido. Por isso a criança enxerga que se gritamos com eles é porque merecem ser tratados de forma rude.

É por isso que é tão importante pedir perdão, para que nossos filhos entendam que ninguém deve ser tratado desta forma, inclusive eles.

Toda vez que gritamos,  perdemos um pouco do respeito, da comunicação, aumentamos a distancia e o desconforto emocional. Além de causar segundo psicólogos um desastre na auto estima dos filhos.

E o que podemos fazer para tentar melhorar ou reverter este nosso comportamento? segundo a psicóloga Mireia Navarro Vera, devemos:

  • Adquirir um compromisso:
    será como um acordo familiar em que nos comprometemos a parar de gritar e falar com respeito. Vamos dizer aos nossos filhos que estamos aprendendo a fazê-lo e que eles terão que nos ajudar, que provavelmente cometeremos erros, mas que, se tiverem paciência, faremos o melhor a cada momento.
  • Nosso trabalho como pais é controlar nossas emoções:
    com o manejo de nossas emoções, ensinamo-los a controlar as deles. Se formos um bom exemplo, eles serão melhores. Portanto, devemos começar a trabalhar com nossas emoções, o que sentimos, o que transmitimos e como o controlamos. É um treinamento que requer tempo e esforço.
  • Lembre-se que as crianças devem agir como crianças:
    devem brincar, o esperado para a idade e nós somos os responsáveis por lembrá-los de suas obrigações todos os dias. É o nosso trabalho como pais. 
  • Pare de recolher lenha:
    quando você tem um dia ruim, qualquer faísca acenderá o fogo. Tire um momento, faça algo que faça você se sentir melhor e pare de se reunir lenha para o fogo. Em algum momento você tem que parar.
  • Ofereça empatia quando seu filho expressar qualquer emoção:
    qualquer emoção, boa ou má, deve ser ouvida. Para mostrar empatia, devemos fazer nosso filho enxergar que entendemos como ele se sente. Dessa forma,  aprenderão a aceitar seus próprios sentimentos, que é o primeiro passo para aprender a lidar com eles. Depois que as crianças conseguem controlar suas emoções, elas também podem gerenciar seu comportamento.
  • Trate seu filho com respeito:
    quando as crianças são tratadas com respeito, elas sentem mais vontade de se comportar e tratar os outros com respeito. Você apenas tem que entender que seu filho merece seu respeito mais do que qualquer outra pessoa.
  • Quando você ficar com raiva, pare:
    não faça nada nem tome decisões. Respire fundo. Se você já está gritando no meio da frase. Não continue até que esteja calmo. Falar, punir ou agir quando se está com raiva aumenta muito a probabilidade de tomar decisões erradas, gritar em vez de falar, usar punições exageradas e sem instrução e agir de forma desproporcional.
  • Respire e perceba seus sentimentos:
    quando você ficar com raiva de seu filho e sentir raiva e raiva, afaste-se da situação, se possível, e respire. Lave seu rosto e pense sobre o que está sob essa raiva que geralmente é medo, tristeza e decepção. Dê a si mesmo um espaço para sentir e chore se você sentir, então você verá como a raiva desaparece.
  • Encontre sua própria sabedoria:
    analise a situação objetivamente. Agora que você não sente mais raiva, será mais fácil. Pense no que você deseja alcançar e qual é a melhor maneira de fazer isso. Você quer que seu filho lhe obedeça, seja paciente e repita a norma quantas vezes for necessário, até mesmo o ajude fisicamente a fazê-lo, pegue-o pela mão e guie seus passos. Você quer que seu filho o respeite, ensine-o pelo exemplo. Você quer educar bem o seu filho, faça-o a partir do reconhecimento e do afeto não dos gritos e punições. Defina seus objetivos e também defina seus passos. Aprender requer tempo e paciência, seu filho não pode aprender tudo a princípio, ao contrário, é o contrário, você não aprenderá nada no início.
  • Adote medidas positivas, procure um lugar calmo.

Às vezes, basta respirar, sair um pouco de perto,  para que a raiva desapareça.

Administrando bem nossas emoções e sentimentos, ensinamos o mesmo aos nossos filhos e isso certamente nos tornará mães muito melhores.

Leia mais:

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Gritar com os filhos pode ser prejudicial

 

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Síndrome do Imperador

 

Cada vez mais presenciamos e nos surpreendemos com comportamentos de algumas crianças diante dos professores, parentes e até dos próprios pais. Gritos, falta de respeito e outras atitudes que me levam a pensar que a autoridade esta mudando de lado. Crianças ditando o que os pais devem fazer, escolhendo onde devem ir nas férias, satisfazendo os anseios consumistas e tudo isso acontecendo feito se “fazer os luxos” dos pequenos fosse algo normal e bom para eles.

Recebi de amigos um vídeo no qual o psicoterapeuta Léo Fraiman abordou a criação dos filhos e a “síndrome do imperador” em uma entrevista no programa do Ronnie Von da TV Gazeta.

Ele explica que os pais de hoje em dia são narcisistas, pois querem fazer com que seus filhos sejam felizes a qualquer custo, tomando atitudes que privam os pequenos de terem frustrações. “Se uma criança não é treinada a esperar, a criar, a negociar, a ceder e a se frustrar, você está aleijando a criança”, salienta. Segundo o profissional, esses pais estão criando um tirano, uma pessoa que vai ser chata, birrenta, neurótica, depressiva e terá tendência a se envolver com drogas.

De acordo com a matéria do site “Exploring your Mind”as crianças com esta síndrome possuem alguns comportamentos em comum:

  • Traços de personalidade próprios do egocentrismo.
  • Baixa tolerância a frustrações.
  • Não sabem como controlar ou segurar seus sentimentos e emoções.
  • Não toleram ver suas demandas não cumpridas.
  • Conhecem as fraquezas dos outros.
  • São especialistas em manipular psicologicamente as pessoas.

Em outra matéria no site Psicorientação :

  • A criança não sente culpa pelo que faz aos outros, seu comportamento é desmedido e nada convencional para a idade.
  • É tirana e controla tudo o que vê pela frente; dá ordens e exige respeito, atua de forma impulsiva, não teme figuras de autoridades como professores, diretores da escola, pais, irmãos mais velhos.
  • Uma criança imperadora pode chegar a dar empurrões, bater, fazer ameaças, destruir o ambiente onde está por birra, faz agressão verbal, coage os pais, não demonstra solidariedade.
  • Quando frustrada torna-se violenta.
  • No cotidiano a criança não é capaz de servir o outro, é arrogante, soberba, não faz nada que lhe pedem e desrespeita ordens.
  • Na infância apresenta necessidade de chamar a atenção, quer ser o centro de tudo. É agitada, inquieta, grita quando é contrariada, é manipuladora, tem marcante desobediência, rebeldia e insubordinação.

Segundo especialistas este problema costuma apresentar relevância por volta dos 7 anos de idade,  começando inicialmente com pequenas desobediências, posteriormente vai aumentando até chegar à desconsideração geral. 

E quais seria as características dos pais destas crianças?

Pais hesitantes, que exercem uma educação passiva e relaxada, não estabelecem limites de referência para a conduta dos filhos, permitindo a réplica, cedendo à chantagem e sendo vítimas até de agressões verbais e físicas.

Chegando a adolescência, se tornam incapazes de conceber que alguma autoridade externa possa impor limites. Em casos graves, podem chegar a agredir seus pais e abusar de drogas e álcool.

Infelizmente a escola e a família estão perdendo a capacidade de educar. Nos sentimos desorientados, culpados, cheios de dúvidas a respeito de como devemos caminhar e orientar os nossos filhos.

Temos que voltar agarrar com pulsos firmes a nossa responsabilidade como figuras de autoridade e como pais. Temos que ensinar nossos filhos a aceitar as normas e entende-las se for preciso.

Temos também o dever de ensinar que existem coisas que são inegociáveis. O respeito aos pais é um delas. Temos que tentar ser menos materialistas, permissivos e hedonistas.

Para educar nossos filhos de forma responsável não podemos abrir mão dos limites e frustrações, para que possam entender que o mundo não gira em torno do seu ego.

Minha Lista de Hábitos para Ser uma Mãe Melhor

Em 2011, a pediatra Meg Meeker lançou um livro nos EUA sobre os hábitos das mães felizes. A abordagem do livro “Ten Habits of Happy Mothers: Reclaiming our Passion, Purpose and Sanity” (“Os Dez Hábitos das Mães Felizes: Recuperando nossa Paixão, Propósito e Sanidade”) não é sobre você estar realizada por ter tido filhos, mas se você é feliz como mulher.

Algumas destas dicas estão no meu texto da forma que consigo por em prática, outras dicas fui descobrindo sozinha e resolvi listar, pois durante estes últimos 11 anos de vida que me tornei mãe, estou aprendendo que alguns destes pequenos hábitos e posturas podem fazer uma grande diferença.

Não sou e nem pretendo ser uma SUPER MÃE, mas tento a cada dia me tornar uma versão melhor de mim mesma. Compartilho algumas atitudes que acredito que possam ajudar a nos tornar mães melhores.

  • Tentar dedicar tempo de qualidade aos nossos filhos. Algumas mães estão em casa em tempo integral como eu, outras trabalham fora, mas este ponto se aplica a todas nós. Tentar usar menos o telefone, ou qualquer tecnologia quando estiver com eles. Perguntar e escutar de verdade sobre o dia na escola, sobre as amizades, planos para o futuro. Assistir filmes e séries juntos. Criar trabalhos manuais e sentar para fazer junto. Eu nunca gostei de brincar de bonecas, fazer arte sempre foi a melhor opção para preencher esta minha dificuldade.
  • Não se culpar por seus defeitos e fraquezas o tempo todo.Toda mãe sempre carregara alguma culpa, as que trabalham fora, se culpam muitas vezes pela ausência, no meu caso muitas vezes me culpei por não estar financeiramente ativa, por ser ríspida e dura no modo de falar com elas. Em fim, quando vem a culpa, tento ser menos cruel comigo mesma e me policiar tentando melhorar naquilo que pode ser trabalhado naquele momento.
  • Não se comparar com outras mulheres, mães e esposas. Somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter.  Todas nós fazemos nosso melhor no dia a dia e educamos por amor. Levo este hábito para tudo mais em minha vida. Somos únicas.
  • Manter atividades e amizades que nos fazem bem. Não abro mão de meu CrossFit e de amigos que me fazem rir e crescer. Quando abrimos mão acabamos descontando de alguma forma em nossos filhos.
  • Cultivar a fé e espiritualidade. Não falo em religião aqui. Cada um tem sua fé. Mas o habito e o cultivar estes valores dentro de casa com os filhos nos dá segurança e força para sustentar a família.
  • Não se sobrecarregar. Decidi ser dona de casa e mãe, tenho mil afazeres em casa e com as meninas, me sinto cansada como qualquer pessoa, e tenho pouco tempo para minhas coisas. Quando o marido esta em casa ele me ajuda, e eu peço e aceito a ajuda sem dor na consciência.
  • Saber o valor que eu tenho. Sei que mães como eu, tendem a ser julgadas por não estar trabalhando fora, tendo uma carreira. Mas sei do valor do trabalho que tenho em meu lar. Não podemos esperar este reconhecimento externo, pois muitas vezes não teremos. Os bons frutos que colhemos com nossos filhos fazem tudo valer a pena.
  • Fazer as refeições com calma na mesa. Nada de comer com tablet, televisão ou qualquer distração. Reunir a família para conversar sem interrupções é muito importante para nós.

Para ler mais: Revista Crescer

Filhos e Consumismo

Não nascemos consumistas, somos influenciados todos os dias pelas mídias e sem ver somos estimulados a consumir cada vez mais e de forma inconsequente.

As nossas crianças também influenciam diretamente nossas compras e segundo pesquisas, bastam 30 segundos para uma marca influenciar uma criança.

Quando estamos inseridos neste meio fica muito difícil resistir aos apelos e vontades de nossos filhos.

Desde que fui mãe, em decisão conjunta com meu marido optamos por tentar criar nossas filhas com regras rígidas em relação ao consumismo desnecessário. Elas sabem que não existe aqui em casa brinquedos fora de época, roupas e calçados se não houver a real necessidade de compra. Funciona mais ou menos assim: compra-se tênis se o tênis antigo não servir mais.

Outra regra que temos em casa é que quando entra um brinquedo ou uma roupa nova, sai brinquedo ou uma peça de roupa em bom estado para doação. Assim evitamos aquele acumulo desnecessário de objetos sem uso, além de passar para uma outra pessoa que pode estar precisando.

Abrimos o consumo quando elas querem livros, desde que o ultimo livro adquirido tenha sido finalizado. Doamos também com frequência alguns livros, deixando aqueles de preferência das meninas em casa.

Incentivamos e brincamos junto com as meninas de construir brinquedos com material reciclável. Meu marido possui vários peças e pedaços de produtos sem uso que reutiliza com elas.

Posso afirmar que até hoje essas regras tem dado bons resultados. Falar o NÃO hoje pode ajudar muito na formação e incentivo do consumo consciente no futuro.

Leia mais: Não compre, troque um brinquedo …