O Tempo é a Gente que Faz : por Roberta Sodré

Convidei esta amiga para escrever um texto contando um pouco de sua história que para mim é mais um exemplo de força e perseverança. Acompanho seu desempenho no esporte e admiro muito a forma que administra tantos afazeres ao mesmo tempo.

 Roberta Sodré  é mãe de gêmeos, esposa, delegada e atleta de CrossFit.

“Eu nunca fui gordinha. Tá, eu nunca fui nem cheinha, pelo contrário. Morria de amores pelos corpos voluptuosos das amigas que tinham peito, bunda e todos aqueles atributos que fazem um mulherão, sabe?

Sempre fui magrela, seca e desinteressante. Mas eu sempre gostei dos esportes, e de uma forma ou de outra, me dava bem ali naquele meio.

Natação, a antiga ginástica olímpica (que hoje chamam ginástica artística), vôlei… já fiz de tudo um pouco.

Um acidente nos treinos me fez então largar tudo aos 16 anos e recomeçar só na musculação aos 19 anos. Algo que eu nunca gostei.

Após casamento e gêmeos, resolvi que aquele “trem”  estava muito sem graça e decidi me aventurar no tal do CrossFit.

Comecei pensando só na estética, e me apaixonei. Cada dia um passo além, um salto mais alto… e de repente me vi competindo nas seletivas dos melhores do país.

Sim eu com 36 anos, mãe de gêmeos com cinco anos de idade, ali no meio daquelas menininhas todas que vivem daquilo e para aquilo.

E sabe o que eu senti? Orgulho.

Ali eu me encontrei, me achei e permaneci.

Treino hoje cerca de duas horas por dia, a partir das 05:00 da manhã, cinco vezes na semana. Não sofro pra fazer dieta, minha saúde melhorou 898%, além dos treinos de jiu jitsu e defesa pessoal duas vezes na semana (esses aí eu acrescentei por causa da minha profissão, que me exige preparo sempre contra qualquer agressão).

E assim, mãe, esposa, filha, amiga, Delegada de Polícia que trabalha dez horas por dia, eu me vi totalmente fora de uma rotina impositiva de padrão de beleza, para encontrar um outro padrão: o da minha realização.

As coisas não mudam por dois motivos apenas. Ou é medo ou é tarde. O tempo é a gente que faz. Espero vocês!”

Fotografia:Fred Paco

Instagram : Roberta Sodré

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Mãe de 3 e Atleta (IRONMAN) : Catarina Porfírio

Conheço Catarina já faz tempo, sempre foi bela e determinada. Perdemos contato por alguns anos, agora depois dos 40 anos de idade, nos reencontramos pelas redes sociais. Para minha surpresa e admiração, Catarina hoje esta ainda mais determinada, forte e bonita. Decidi convida-la para escrever e compartilhar com vocês este exemplo de superação e força. Inspirador!

A maternidade não me impediu de me tornar atleta!

Quando criança fui ginasta. Passava todas as manhãs no ginásio do Minas Tênis Clube fazendo aula de ginástica olímpica, era a parte mais feliz do meu dia.

Meu sonho era ser selecionada para a equipe do clube, na qual só havia atletas com muito potencial, mas esse sonho nunca se realizou porque embora eu fosse muito flexível e dedicada eu era alta, pesada, um biotipo que condenava meu progresso na modalidade!

Na adolescência fui nadadora, integrei uma equipe de competição, fui federada pelo Praia Clube e disputei campeonatos regionais!

Depois veio a faculdade, casamento, três gestações seguidas e com isso me distanciei do esporte competitivo por 20 anos, mas hora nenhuma deixei de praticar esporte, me exercitava uma hora, 5 vezes por semana, alternando musculação com aeróbico!

Em 2013, aos 39 anos resolvi me inscrever em um triathlon da região, estava com muita saudade de nadar e curiosa para saber como seria meu desempenho depois de tanto tempo longe das piscinas.

Como eu não tinha domínio do ciclismo na época, entrei no revezamento com meu marido. Eu nadei e corri, e ele pedalou. Mesmo ambos não tendo nenhuma experiência com o triathlon, conseguimos um pódio de terceiro lugar e ganhamos um troféu maravilhoso! Ali me encantei pelo triathlon e decidi que iria treinar para me tornar uma triatleta.

Comecei nas provas menores e em um ano já estava fazendo meu primeiro IRONMAN 70.3 e dois anos depois fiz o IRONMAN 140.6, a maior e mais difícil prova regulamentadas do triathlon.

Ao todo foram 7 IRONMAN 70.3 e 2 IRONMAN 140.6. Uma média de três horas diárias de treino de segunda a sábado, inúmeras competições no Brasil e outras fora: Monterrey/México, Miami/EUA, Londres/Inglaterra, Tirol/Áustria. Sonhava em ser atleta, ter um corpo atlético e ser assim reconhecida desde que eu era criança, mas isso só foi acontecer na fase menos provável da minha vida: aos 39 anos, após ter me tornado mãe de três filhos!

Hoje, tenho 43 anos, nesses quatro anos meu corpo se transformou, tenho hoje a melhor forma física da minha vida! Estou em paz com o espelho e me orgulho da imagem que vejo porque ela não veio de graça, por trás dela há muita dedicação. Mesmo tendo engordado muito nas três gestações, a maternidade não me impediu de recuperar a forma física.

Amo meus três filhos, mas sei que para ser uma boa mãe, preciso antes de tudo estar bem comigo mesma e ser atleta me traz essa realização! É fácil conciliar a vida de atleta com a maternidade? Não, mas é possível! Toda escolha tem seu preço: o sedentarismo custa caro, ser atleta também! Vale refletir e fazer a escolha que te faz feliz!

Por: Catarina Porfírio

Instagram: @catarina140.6