Você realmente está com fome ou desejo de comer?

Durante minha adolescência era muito comum eu ir  a rodízios de pizza com os amigos, lanchonetes fast food e carrinhos de lanche. Em 90% das vezes eu passava do limite com a comida, chegava em casa e acabava tendo que tomar sal de frutas, de tão empanzinada que ficava.

Até alguns anos atrás minha postura diante de comida não era muito diferente ,  alimentos salgados são minha perdição, bastava ir a alguma festa ou comer em alguma lanchonete para eu sentir que realmente passei da conta. Nesta época também não praticava exercícios, resultado: estava com alguns quilos a mais, muita fadiga e culpa por estar sempre cometendo excessos.

A impressão que tinha é de estar sempre com fome. Mas será que era realmente fome?

A verdade é que provavelmente muitas de nós dificilmente experimentou a real sensação de fome (necessidade biológica, sensação dolorosa pela necessidade de nutrientes) e sim um desconforto. De repente sentimos aquele “desconforto” e lá vamos nós atrás da geladeira.

Mas a verdadeira pergunta que devemos nos fazer é: você está realmente com fome, ou foi a força do hábito, ansiedade, tristeza, tédio ou alguma outra emoção?

Entender nossos  hábitos alimentares e aprender a reconhecer a verdadeira fome é uma ferramenta essencial para a perda de peso, manutenção do mesmo e uma vida saudável.

Andei lendo bastante e vou arriscar um passo a passo bem simplificado e que funciona muito bem para mim, quando bate aquela vontade de ir até o armário e comer um pacote de amendoim salgado ou o chocolate meio amargo, pare, respire e pense:

  • Estou com muita fome ou será que estou ansiosa, entediada, cansada, com sono por ter dormido mal ou com qualquer outra emoção?
  • Responda a pergunta: “se eu não pudesse ter essa comida agora, o que mais eu gostaria de fazer? Dormir um pouco, conversar com algum amigo, cuidar um pouco do meu visual, chorar, falar sobre aquela situação que me chateou com a pessoa envolvida?” Se você não puder tirar uma soneca ou chorar neste momento, tente dormir mais cedo neste dia ou telefone para um amigo, para sua mãe e converse um pouco. Se estou sem as meninas (horário da escola), saio para dar uma caminhada no bairro, ou tento ler algum livro, ver alguma série que me faça rir um pouco.
  • Beba um copo de água bem grande e aguarde uns 30 minutos, normalmente, quando estou ansiosa e não com fome, a água é o suficiente e freia o impulso de comer sem fome.
  • Nós vivemos em um mundo obcecado por comida, evite gatilhos: ligar a TV e sintonizar em programas de culinária, ficar o tempo todo olhando receitas em revistas e internet. Como mãe estou sempre buscando novidades para a  família, hoje tento fazer esta busca por receitas quando estou bem alimentada.

Se o desejo de comer desaparecer, você provavelmente esta passando fome emocional. Se o desejo de comer aumentar ou você quiser comer alimentos que normalmente não são tão atraentes para você provavelmente está realmente com fome.

E se a fome real vier e você esta tentando manter o peso, quais seriam boas opções, seguindo dicas que aprendi vou atrás:

  • Proteínas magras:  ovo, frango (sem pele), peixe, queijo cottage, tofu e iogurte desnatado.
  • Maçã:  A fruta possui alto nível de concentração de uma substância chamada pectina, uma fibra que aumenta a sensação de saciedade, retardando o processo de digestão.
  • Nozes: são ricas em gorduras e proteínas saudáveis e têm grande poder de causar saciedade.
  • Água: além de hidratar, ocupa espaço no estômago e tira a vontade de comer.
  • Aveia e Quinoa: contém poucas calorias e é uma ótima fonte de fibra solúvel. O poder de saciedade da aveia vem do alto teor de fibra e da capacidade de absorver água.
  • Pipoca: é uma boa saída para um lanche rápido e saudável, pois  é rica em fibras e causa muita saciedade. Detalhe importante: a pipoca, nesse caso, é preparada de forma natural, sem adição de gordura. Em casa temos pipoqueira elétrica, onde só usamos o milho, sem adição de nenhum óleo.

Acredito ser normal querer sair para jantar ou almoçar fora com amigos quando nos sentimos mais tristes, carentes ou querendo espairecer. A fome emocional só se torna um problema quando fazemos do alimento o remédio, trazendo consequências para a sua saúde.

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O Tempo é a Gente que Faz : por Roberta Sodré

Convidei esta amiga para escrever um texto contando um pouco de sua história que para mim é mais um exemplo de força e perseverança. Acompanho seu desempenho no esporte e admiro muito a forma que administra tantos afazeres ao mesmo tempo.

 Roberta Sodré  é mãe de gêmeos, esposa, delegada e atleta de CrossFit.

“Eu nunca fui gordinha. Tá, eu nunca fui nem cheinha, pelo contrário. Morria de amores pelos corpos voluptuosos das amigas que tinham peito, bunda e todos aqueles atributos que fazem um mulherão, sabe?

Sempre fui magrela, seca e desinteressante. Mas eu sempre gostei dos esportes, e de uma forma ou de outra, me dava bem ali naquele meio.

Natação, a antiga ginástica olímpica (que hoje chamam ginástica artística), vôlei… já fiz de tudo um pouco.

Um acidente nos treinos me fez então largar tudo aos 16 anos e recomeçar só na musculação aos 19 anos. Algo que eu nunca gostei.

Após casamento e gêmeos, resolvi que aquele “trem”  estava muito sem graça e decidi me aventurar no tal do CrossFit.

Comecei pensando só na estética, e me apaixonei. Cada dia um passo além, um salto mais alto… e de repente me vi competindo nas seletivas dos melhores do país.

Sim eu com 36 anos, mãe de gêmeos com cinco anos de idade, ali no meio daquelas menininhas todas que vivem daquilo e para aquilo.

E sabe o que eu senti? Orgulho.

Ali eu me encontrei, me achei e permaneci.

Treino hoje cerca de duas horas por dia, a partir das 05:00 da manhã, cinco vezes na semana. Não sofro pra fazer dieta, minha saúde melhorou 898%, além dos treinos de jiu jitsu e defesa pessoal duas vezes na semana (esses aí eu acrescentei por causa da minha profissão, que me exige preparo sempre contra qualquer agressão).

E assim, mãe, esposa, filha, amiga, Delegada de Polícia que trabalha dez horas por dia, eu me vi totalmente fora de uma rotina impositiva de padrão de beleza, para encontrar um outro padrão: o da minha realização.

As coisas não mudam por dois motivos apenas. Ou é medo ou é tarde. O tempo é a gente que faz. Espero vocês!”

Fotografia:Fred Paco

Instagram : Roberta Sodré

Ela tem a Força : Maternidade e MMA por Cristina Yukie

Quero apresentar mais uma amiga que me inspira como mulher, mãe e esportista. Nos conhecemos há mais de 25 anos. Hoje com dois filhos está mais bonita e em forma do que no passado. Sempre que possível pretendo trazer textos como este, escrito por Yukie, para mostrar que podemos e devemos conciliar a maternidade a pratica de esportes. 

“Meu nome é Yukie, tenho 42 anos, sou casada há 17 e tenho 2 lindos filhos, Lucas de 13 e Gabriel de 9.
Quando recebi o convite da Carol, confesso que pensei: “Será que eu tenho algo a dizer, será que vou conseguir escrever?”
Bom, vamos lá. O esporte sempre esteve presente na minha vida, sempre fui muito ativa no colégio, jogava handball, volleyball, fazia balé, jazz e natação. Nunca fui competitiva, sempre fiz esporte pelo simples prazer de manter o corpo em movimento.
Durante a faculdade, fazia todas as aulas que inventavam na academia, aeróbica, step, aerostep, aerobahia, bodypump, musculação…
Depois que me casei e fui mãe, as coisas mudaram um pouco, ou melhor, muito. Não tinha mais forças e nem ânimo para toda essa agitação. O que eu mais queria era um tempo para dormir. Meus filhos sempre acordaram a noite toda para mamar e isso me deixava exausta. Mal sabia eu, que essa falta de vitalidade estava ligada à falta de exercícios.
Até que um dia me animei e desci na academia do prédio para dar uma caminhada na esteira. Quando vi todos aqueles aparelhos que um dia fizeram parte do meu dia-a-dia e naquela hora me pareciam tão estranhos, me deu uma tristeza! Mas fui em frente, cada dia um pouco e no outro um pouco mais. A minha resistência física foi melhorando e a medida de ela aumentava, eu me animava.
Há 5 anos, estava correndo na esteira da academia do meu prédio e de olho em uma aula de Muay Thai  que estava acontecendo no mesmo espaço. Como quem não quer nada, fui perguntar como funcionava e pronto! Já não tinha mais volta!
Comecei tendo 1 aula por semana com um Personal Fighting de MMA, e agora treino praticamente todos os dias em um clube de luta aqui em Porto Alegre e faço yoga para me alongar.
Nunca me senti tão bem e em forma.
Encontrei na luta o meu ponto de equilíbrio. Saio do treino uma nova mulher todos os dias.
O inevitável se torna mais prazeroso quando escolhemos um bom caminho. Gosto do meu corpo, do meu rosto e da maneira que escolhi para envelhecer.
A maternidade nos faz mudar, mas nada impede que seja para melhor. Hoje sou mais ponderada, um pouco mais calma, penso antes, reflito mais, sou mais amorosa, mais preocupada, mas tudo isso fora do ring, pois lá dentro, como disse acima, sou outra pessoa!”

Instagram: @cyukie

Mãe de 3 e Atleta (IRONMAN) : Catarina Porfírio

Conheço Catarina já faz tempo, sempre foi bela e determinada. Perdemos contato por alguns anos, agora depois dos 40 anos de idade, nos reencontramos pelas redes sociais. Para minha surpresa e admiração, Catarina hoje esta ainda mais determinada, forte e bonita. Decidi convida-la para escrever e compartilhar com vocês este exemplo de superação e força. Inspirador!

A maternidade não me impediu de me tornar atleta!

Quando criança fui ginasta. Passava todas as manhãs no ginásio do Minas Tênis Clube fazendo aula de ginástica olímpica, era a parte mais feliz do meu dia.

Meu sonho era ser selecionada para a equipe do clube, na qual só havia atletas com muito potencial, mas esse sonho nunca se realizou porque embora eu fosse muito flexível e dedicada eu era alta, pesada, um biotipo que condenava meu progresso na modalidade!

Na adolescência fui nadadora, integrei uma equipe de competição, fui federada pelo Praia Clube e disputei campeonatos regionais!

Depois veio a faculdade, casamento, três gestações seguidas e com isso me distanciei do esporte competitivo por 20 anos, mas hora nenhuma deixei de praticar esporte, me exercitava uma hora, 5 vezes por semana, alternando musculação com aeróbico!

Em 2013, aos 39 anos resolvi me inscrever em um triathlon da região, estava com muita saudade de nadar e curiosa para saber como seria meu desempenho depois de tanto tempo longe das piscinas.

Como eu não tinha domínio do ciclismo na época, entrei no revezamento com meu marido. Eu nadei e corri, e ele pedalou. Mesmo ambos não tendo nenhuma experiência com o triathlon, conseguimos um pódio de terceiro lugar e ganhamos um troféu maravilhoso! Ali me encantei pelo triathlon e decidi que iria treinar para me tornar uma triatleta.

Comecei nas provas menores e em um ano já estava fazendo meu primeiro IRONMAN 70.3 e dois anos depois fiz o IRONMAN 140.6, a maior e mais difícil prova regulamentadas do triathlon.

Ao todo foram 7 IRONMAN 70.3 e 2 IRONMAN 140.6. Uma média de três horas diárias de treino de segunda a sábado, inúmeras competições no Brasil e outras fora: Monterrey/México, Miami/EUA, Londres/Inglaterra, Tirol/Áustria. Sonhava em ser atleta, ter um corpo atlético e ser assim reconhecida desde que eu era criança, mas isso só foi acontecer na fase menos provável da minha vida: aos 39 anos, após ter me tornado mãe de três filhos!

Hoje, tenho 43 anos, nesses quatro anos meu corpo se transformou, tenho hoje a melhor forma física da minha vida! Estou em paz com o espelho e me orgulho da imagem que vejo porque ela não veio de graça, por trás dela há muita dedicação. Mesmo tendo engordado muito nas três gestações, a maternidade não me impediu de recuperar a forma física.

Amo meus três filhos, mas sei que para ser uma boa mãe, preciso antes de tudo estar bem comigo mesma e ser atleta me traz essa realização! É fácil conciliar a vida de atleta com a maternidade? Não, mas é possível! Toda escolha tem seu preço: o sedentarismo custa caro, ser atleta também! Vale refletir e fazer a escolha que te faz feliz!

Por: Catarina Porfírio

Instagram: @catarina140.6