Maternidade e Montanhas; por Cláudia Ferreira

Semana passada retornei ao clube de escalada ROKAZ  em Belo Horizonte, lugar incrível que Claudinha me apresentou já alguns anos atrás.

Desta vez fui com a família.

Meu marido e eu fizemos um mini curso e passamos a tarde “brincando” de escalar com as meninas. Programa delicioso!

Somos amigas há mais de 25 anos e apesar da distancia física, o lugar de “BFF” no meu coração é dela!  

Sempre admirei sua coragem de correr atrás de tudo que sonhava, sem medo. Esta mulher forte, desbravadora e bela  também é mãe.

Convidei Cláudia para dividir com vocês um pouco deste mundo diferente e apaixonante. A sensibilidade com as palavras é mais um dom desta amiga que eu amo:

“Eu sou Cláudia, mãe do Luca, de 1 ano e 2 meses.

Ao longo da minha vida, eu quis experimentar muitos esportes e atividades, e permitir que meu corpo passasse por diferentes desafios: capoeira, dança, musculação, kick-boxing, Yôga, escalada, trekking, canoagem, crossfit .

Nunca fui profissional; apenas uma curiosa incansável.

Mas a luz maior dos meus olhos vem da escalada em rocha. Por mais de 20 anos, entre altos e baixos e picos de dedicação e lesões, pude viver momentos lindos em vários lugares do Brasil, Canadá, Argentina e Chile.

O prazer de estar em meio à natureza sempre foi enorme. A aproximação para as vias mais remotas é uma preparação para o esforço físico e mental da escalada esportiva. Uma trilha como a de um setor novo, é sempre uma veia de energia pulsante, cercada de vida por todos os lados.

Vento dando boas-vindas. Forte, imponente, mas ao mesmo tempo, um carinho para as partes descobertas do corpo. O sentir-se pequeno diante da grandeza das rochas, aos poucos se transforma em uma sensação de força.

Movimentos plásticos, explosivos e de resistência muscular máxima. Prazer de tocar agarras que nunca se repetem, esculpidas pelo tempo. Ir cada vez mais alto significa que ao final, a vista será ainda mais bonita. O silêncio, maior.

Escalar é amor eterno, paixão que não termina.

Mas a maternidade veio, aos 40 anos, e me fez rever a frequência com que eu iria praticar. Amamentar, dormir pouco, menos vigor, fariam com que eu adiasse a prática. Escalei quando o Luca fez 3 meses, depois 5, e 8 meses.

Hoje tenho escalado pouco e feito caminhadas para cachoeiras onde moro com mais frequência do que o esporte. Acho que é importante manter a rotina do meu filho; os horários de sono, principalmente.

Quero que ele chegue a dormir em barracas e redes mas ainda não consegui isso.

Sinto muita falta da prática regular. Frequentemente sonho com movimentos novos, novas vias e lugares onde nunca estive. Mas dentro do possível, visito lugares lindos com ele e fico imensamente feliz e plena em ver o deslumbramento dele por esses lugares.

Bebês e crianças têm seus sentidos ricamente estimulados ao sair de cidades e experimentar o aberto infinito de paisagens naturais, águas mais frias, incontáveis tons de verde. O toque de plantas, cheiro de folhas que amassadas e levadas ao nariz, causam reações engraçadas.

Ouvir pássaros, observar. Gastar tempo com o nada. Ou com o barulho da chuva batendo no topo da mochila especial com cobertura, enquanto estende o braço pra sentir os pingos.

Levar meu filho para o “mato” comigo e com o pai é compartilhar meu amor mais antigo com eles, os meus amores eternos.”

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Sobre aprender com as mudanças; por Tininha Fleury

Para fechar este ano com chave de ouro, decidi convidar uma mulher que admiro infinitamente, respeito e tenho um amor gigantesco: minha irmã!
Desejando junto com ela um 2018 de serenidade, sabedoria, realizações amor e muita paz para todos vocês!
“Sempre fui uma pessoa muito planejada, desde pequenininha muito decidida, sempre soube o que queria, e realmente acreditava que o destino estava APENAS em minhas mãos. Brinco que o “Cara lá de cima”, já deve ter dado boas risadas com isso.
Meu grande sonho sempre foi ser mãe, cheguei a ousar dizer de criança que teria 79 filhos, e que boa parte deles, antes dos 30 anos! Mas a vida foi me levando por caminhos diferentes…
Terminei a minha formação, em Publicidade e Propaganda já trabalhando na área, e graças a minha dedicação, fui ganhando cada vez mais destaque no mercado, chegando a Diretora de Novos Negócios de uma grande empresa de mídia em Belo Horizonte e posteriormente São Paulo.
Mas em função dessas “mudanças de rota”, acabei conhecendo o grande amor da minha vida já beirando o tal dos 30. Cheguei a ponto de achar que Deus estava me punindo, por não me permitir encontrar o meu grande companheiro desta vida mais nova, a tempo de ter meus vários filhos.
Nos casamos e pouco tempo depois, claro que de forma muito bem programada, descobrimos que fomos premiados com gêmeos!(Acho que Deus resolveu me ajudar nos meus planos de povoar o mundo, rs).
Gestação maravilhosa, radiante, espetacular, sem nenhuma intercorrência, e a vida do meu casalzinho já estava toda desenhada na minha cabeça, nos mínimos detalhes, já conseguia ate me imaginar avó.
Após a chegada dos gêmeos, iria propor a empresa que trabalhava, um trabalho mais no esquema home office, para acompanhar de perto o crescimento dos dois, porém não abandonaria a minha carreira.
Eis que, mais uma vez, meus planos não saíram conforme planejado.
Na metade do 8 mês, minha gatinha rompeu a bolsa e o parto precisou ser realizado.
Ambos nasceram muito bem, porém meu gatinho apresentou insuficiência respiratória alguns minutos depois, precisando ser levado para a UTI Neonatal, e no segundo dia de vida, teve duas paradas cardiorrespiratórias, uma de 13 e uma de 20 minutos, deixando nele uma extensa área de paralisia cerebral.
Foi neste momento, que ocorreu o tal do “clique” que tantas pessoas falam, foi neste momento que descobri, que o destino não nos pertence, que todos os planos são feitos por Ele, e que mesmo não entendendo em um primeiro momento, os planos Dele são os mais perfeitos que existem.
Não é fácil e nem rápido perceber isso,  demora um certo tempo, suficiente para comportar alguns sentimentos:
luto,
revolta,
um extenso questionar.
Até que chega o momento que você consegue compreender, que aquela mudança também veio para te colocar na rota mais certa, naquela que te trará realmente alegria e sentimentos realmente nobres.
Hoje me sinto muito mais completa e disposta. Voltei a praticar atividade física, porém agora, com frequencia e comprometimento muito maiores do que há alguns anos atrás. Aprendi a dar valor a vida que tenho.
Muitas pessoas me questionam, como consigo manter sempre o astral lá em cima, um sorriso no rosto, otimismo e energia, com toda a rotina de mãe de uma criança atípica, e a resposta sem dúvida é essa.
Aprendi a aceitar e a amar as mudanças da minha vida, e só tenho a agradece-las!”
Maria Cristina Fleury Furtado de Campos, 38 anos, casada, Publicitária de formação e mãe apaixonada em tempo integral.

Ela tem a Força : Maternidade e MMA por Cristina Yukie

Quero apresentar mais uma amiga que me inspira como mulher, mãe e esportista. Nos conhecemos há mais de 25 anos. Hoje com dois filhos está mais bonita e em forma do que no passado. Sempre que possível pretendo trazer textos como este, escrito por Yukie, para mostrar que podemos e devemos conciliar a maternidade a pratica de esportes. 

“Meu nome é Yukie, tenho 42 anos, sou casada há 17 e tenho 2 lindos filhos, Lucas de 13 e Gabriel de 9.
Quando recebi o convite da Carol, confesso que pensei: “Será que eu tenho algo a dizer, será que vou conseguir escrever?”
Bom, vamos lá. O esporte sempre esteve presente na minha vida, sempre fui muito ativa no colégio, jogava handball, volleyball, fazia balé, jazz e natação. Nunca fui competitiva, sempre fiz esporte pelo simples prazer de manter o corpo em movimento.
Durante a faculdade, fazia todas as aulas que inventavam na academia, aeróbica, step, aerostep, aerobahia, bodypump, musculação…
Depois que me casei e fui mãe, as coisas mudaram um pouco, ou melhor, muito. Não tinha mais forças e nem ânimo para toda essa agitação. O que eu mais queria era um tempo para dormir. Meus filhos sempre acordaram a noite toda para mamar e isso me deixava exausta. Mal sabia eu, que essa falta de vitalidade estava ligada à falta de exercícios.
Até que um dia me animei e desci na academia do prédio para dar uma caminhada na esteira. Quando vi todos aqueles aparelhos que um dia fizeram parte do meu dia-a-dia e naquela hora me pareciam tão estranhos, me deu uma tristeza! Mas fui em frente, cada dia um pouco e no outro um pouco mais. A minha resistência física foi melhorando e a medida de ela aumentava, eu me animava.
Há 5 anos, estava correndo na esteira da academia do meu prédio e de olho em uma aula de Muay Thai  que estava acontecendo no mesmo espaço. Como quem não quer nada, fui perguntar como funcionava e pronto! Já não tinha mais volta!
Comecei tendo 1 aula por semana com um Personal Fighting de MMA, e agora treino praticamente todos os dias em um clube de luta aqui em Porto Alegre e faço yoga para me alongar.
Nunca me senti tão bem e em forma.
Encontrei na luta o meu ponto de equilíbrio. Saio do treino uma nova mulher todos os dias.
O inevitável se torna mais prazeroso quando escolhemos um bom caminho. Gosto do meu corpo, do meu rosto e da maneira que escolhi para envelhecer.
A maternidade nos faz mudar, mas nada impede que seja para melhor. Hoje sou mais ponderada, um pouco mais calma, penso antes, reflito mais, sou mais amorosa, mais preocupada, mas tudo isso fora do ring, pois lá dentro, como disse acima, sou outra pessoa!”

Instagram: @cyukie

Mais uma conversa sobre BULLYING

A menina tinha uns 8 anos, cada vez que o sino do recreio tocava, o coração disparava. O recreio era a “Hora do Pesadelo”, a menina corria para perto da grade que fazia divisa com o pátio das crianças menores.  Naquele lugar ela encontrava o primo um pouco mais novo para conversar e fugir das meninas de sua sala. Era bem difícil correr para não chegar atrasada de volta a sala de aula, mas preferia a bronca da professora a ter que ser chamada de “bruxa nariguda”, “feiosa” e ser excluída das brincadeiras pelo grupo de meninas da sala de aula. A menina aguentou calada, pois tinha muito medo da mãe brava e protetora tomar satisfação na escola e a situação piorar.

Quando tinha 10 anos de idade, sua mãe notou desvios na coluna, levou ao médico que receitou um colete ortopédico para correção. Ela parecia uma menina biônica, o colete tomava seu tronco e subia até o pescoço. Mais uma fase de bullying, desta vez era chamada de “aleijada” por uma colega e chegou até a ser agredida fisicamente com o colete.

Ontem minha filha de 10 anos pediu para comprar o livro “Extraordinário” .     O livro fala de diversos aspectos do bullying e de preconceitos, que leva o leitor a refletir sobre os padrões de beleza que são impostos.

Conta a história de August, um menino que nasceu com uma séria deformidade facial e mesmo tendo passado por uma série de cirurgias, ainda apresenta sequelas no seu rosto, e o impediu de frequentar a escola até mais ou menos 10 anos.

Estamos tendo a chance de conversar mais uma vez sobre este assunto, e eu pude contar a minha experiência, que acabei de compartilhar acima neste texto com vocês.

Sofri por alguns anos e mais adulta cheguei a fazer terapia para poder descobrir que algumas marcas grandes na minha auto estima vieram desta época. Não quero comparar meu sofrimento com o do menino e sim refletir sobre as marcas que esta prática pode deixar.

Fica aqui meu texto e minha dica de leitura para os filhos.

Ler mais : Sintomas Bullying

Mãe X Mulher

Já faz mais de  10 anos que me tornei mãe pela primeira vez. Nunca fui um primor de vaidade, nem mesmo antes de me casar, quando era mais jovem. Comecei a ter cuidados como usar protetor solar, cremes e até mesmo maquiar, alguns anos após o casamento.

Nas gestações ganhava muitos quilos e a pouca vaidade que restava, ia para o buraco junto com minha auto estima. A fase mais complicada para mim sempre era a fase da amamentação e das meninas com poucos meses de idade. Acordava muitas vezes durante a madrugada e consequentemente, as noites mal dormidas, os hormônios e a depressão pós parto , me faziam sentir cada dia mais feia e mal cuidada.

Quando tive minha segunda filha, reconheci a depressão logo no início, comecei a fazer  tratamento medicamentoso e logo consegui sair dela, diferente da primeira gravidez.

Nunca idealizei a maternidade, sempre imaginei ser algo intenso, de grande valor espiritual, mas extremamente complexo.

Ser mãe, do ponto de vista feminino, deveria sempre nos fazer sentir mais plenas, fortes e belas. Mas pelo menos comigo este processo tem acontecido de forma lenta e crescente.

Com as meninas maiores, aos poucos comecei a sentir a real necessidade de voltar a cuidar da mulher dentro de mim. As mudanças que vieram no meu corpo após as duas gestações, não chegavam a incomodar tanto quanto o fato de me sentir exausta e descuidada de uma forma geral.

O primeiro passo que dei foi sair do sedentarismo; logo em seguida veio a necessidade de buscar hábitos e alimentação mais saudável. Quando fui notando resultados naturalmente comecei a sentir mais vontade e prazer em me cuidar. Comecei a refletir também sobre o exemplo que poderia dar as meninas, de uma vaidade saudável, valorizando bons hábitos alimentares e exercitar o corpo para ter uma boa saúde e se sentir bem com você mesma.

Quase como um grande prêmio, por minha mudança de atitude e por ter voltado a amar e cuidar da mulher que existe em mim, tive o prazer de ser fotografada pelo grande artista Geraldo, no seu Projeto 100 retratos como Diana.

Hoje, tento a cada dia, manter este equilíbrio entre a Mãe e a Mulher , complexo e belo como deve ser!

Do sedentarismo ao CrossFit

Estava voltando das compras, sacola pesada nos ombros, muito cansada e apressada para chegar a tempo de buscar as meninas na escola.

Recebo da mão de um garoto um panfleto com algumas palavras sobre :”Qual a sua desculpa?” e um belo corpo suado, moldado em músculos. Era algo sobre um “box” de “CrossFit“.  Sabia muito pouco sobre o esporte, lembrava de relatos de “exaustão extrema”, talvez “treinamento de soldados”, pneus, pesos, etc…

Fiquei curiosa….

Cheguei em casa, decidi ligar e pedir informações sobre aula experimental. Já havia passado por várias aulas tradicionais em academias. Detestava todas! Não entendia de onde vinha tanta empolgação e gritaria por tão pouco. Contei alguns anos em minha cabeça, tentando lembrar quanto tempo não fazia exercícios regulares. Long time ago!

38 anos, diastase abdominal gigante, fruto de vários kilos que ganhei e depois perdi durante as gestações. Muita, muita flacidez em todo corpo, fadiga, e baixa auto estima. Era assim que estava e não queria mais ficar. E lá fui eu, no dia seguinte, fazer a tal da aula experimental.

Ao chegar ao box me deparei com um local bem diferente das academias. Sem espelhos,(adorei já que não estava muito amiga deles), algumas cordas, pesos, anilhas, barras, caixas de madeira e argolas.

O “coach” com uma barba gigante negra, cabeça raspada e cara de bravo fez algumas perguntas sobre meu passado no esporte e o que eu esperava de lá.

Finalizei o treino (se é que posso dizer isso) e nitidamente senti que estava muito fora de forma. Os colegas de lá, com muito alto astral, tentavam me motivar. Energia diferente. Fiquei exausta mas interessada. Assim foi, por pelo menos um mês.

Na primeira semana demorava dois minutos para sentar no vaso sanitário e mais dois para levantar, tamanha dor muscular. Mas, conforme o tempo foi passando, fui sentindo cada vez mais motivada a vencer cada desafio, aprender cada movimento, levantar cada peso e SUPERAR meus limites. Fui secando e comendo cada dia mais.

O CrossFit me ensinou que eu consigo fazer tudo que eu quiser, basta dedicar e repetir até aprender. Hoje faço movimentos que nunca sonhei poder executar, tenho uma mobilidade e força que nunca imaginei conquistar. Meu corpo é muito mais harmonioso e definido do que aos 20 anos, quando praticava exercício também. Não sinto a fadiga, estou feliz com o que vejo no espelho, e de quebra resolvi anos de dores nas costas causadas pela flacidez abdominal e lombar.

Hoje minha alimentação é um misto de low carb, funcional e bom senso!  Como ganhei muita massa muscular tive que mudar a alimentação que tinha, que era baseada em carboidratos e muito lixo.

Já entrei no terceiro  ano de prática do esporte, sem lesões durante a prática, com maturidade, bom senso e bem assessorada,  ninguém se machuca!

Hoje sou muito mais feliz, disposta e quero muito que outras mães sigam este caminho da prática de esportes.  O sedentarismo é muito mais grave do que a gente pode imaginar. Envolve saúde, amor próprio, problemas emocionais e as vezes é a maior causa de muitos conflitos e problemas que vivemos. Eu decidi recomeçar, esta sendo maravilhoso para minhas filhas, que hoje tem a mãe muito mais disposta, menos ansiosa, mais feliz; para meu marido que hoje tem uma mulher que se ama, e principalmente para mim que me reinventei após todos estes anos em segundo plano.