Cultivando Paixões

Nossa vida é uma sequência de fases e ciclos, dentro de cada fase vivemos paixões.  Estas paixões de alguma forma nos movem para frente.

Quando a gente se torna mãe,  a paixão pelo filhos preenche nosso coração e nosso tempo. Nossas conversas, programas, leituras e tudo mais em nossa vida acaba girando em torno da maternidade.

Minha experiência como mãe não tem sido diferente, mas de repente, com o nascimento da Sofia, segunda filha, comecei a prestar mais atenção em alguns detalhes que começaram a me preocupar.

Reparando em minhas conversas e os assuntos com amigos e família, estes sempre acabavam se voltando para casos ou vivências das meninas, não as minhas.

Um dia em uma conversa sobre planos para o futuro, as meninas me contavam sobre os sonhos que tinham, foi quando minha ficha caiu ao tentar visualizar quais eram os MEUS planos pessoais e sonhos para o MEU futuro e um grande  vazio tomou conta da minha mente. Tudo que conseguia imaginar eram planos para as duas e não para mim.

Conclusão: precisava arrumar novas paixões!

Uma destas paixões hoje é o esporte, o CrossFit é minha terapia, fiz novas amizades e consegui traçar várias metas que pretendo alcançar lá dentro desafiando meu corpo e minha mente. Consigo me enxergar bem velhinha fazendo pullups e não tricot no sofá.

O blog também foi uma destas paixões e meta que tracei para meu futuro, ocupar minha mente e poder aprender coisas novas e conhecer pessoas dividindo as experiências de maternidade e mudança de vida. Tenho lido bastante para poder ficar em dia com acontecimentos em todo mundo e sobre todo tipo de assunto.

Mais uma paixão que descobri  são as séries, hoje sigo principalmente no NETFLIX,  a maioria para publico adulto e não mais somente programas infantis. Algumas séries sigo com marido e outras sozinha. Entre as minhas preferidas estão: SUITS, MR. SELFRIDGE, DESIGNATED SURVIVOR, DOWNTON ABBEY, ANNE with an “E”, OUTLANDER, HOMELAND…

A verdade é que quando comecei a cultivar as novas paixões, passei a imaginar e planejar também o MEU futuro. Não que exista a possibilidade de desvincular  as meninas destes planos, mas sim não ser uma mera coadjuvante nesta história. Penso também em voltar a estudar quando as meninas estiverem maiores, talvez montar algum negócio ou fazer trabalhos voluntários.

É fundamental ter nossa própria vida, interesses e sonhos, e não viver somente a vida de nossos maridos e filhos. Enxergo com muita clareza  hoje a importância disso tudo para me sentir mais completa e feliz.

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Maternidade e Montanhas; por Cláudia Ferreira

Semana passada retornei ao clube de escalada ROKAZ  em Belo Horizonte, lugar incrível que Claudinha me apresentou já alguns anos atrás.

Desta vez fui com a família.

Meu marido e eu fizemos um mini curso e passamos a tarde “brincando” de escalar com as meninas. Programa delicioso!

Somos amigas há mais de 25 anos e apesar da distancia física, o lugar de “BFF” no meu coração é dela!  

Sempre admirei sua coragem de correr atrás de tudo que sonhava, sem medo. Esta mulher forte, desbravadora e bela  também é mãe.

Convidei Cláudia para dividir com vocês um pouco deste mundo diferente e apaixonante. A sensibilidade com as palavras é mais um dom desta amiga que eu amo:

“Eu sou Cláudia, mãe do Luca, de 1 ano e 2 meses.

Ao longo da minha vida, eu quis experimentar muitos esportes e atividades, e permitir que meu corpo passasse por diferentes desafios: capoeira, dança, musculação, kick-boxing, Yôga, escalada, trekking, canoagem, crossfit .

Nunca fui profissional; apenas uma curiosa incansável.

Mas a luz maior dos meus olhos vem da escalada em rocha. Por mais de 20 anos, entre altos e baixos e picos de dedicação e lesões, pude viver momentos lindos em vários lugares do Brasil, Canadá, Argentina e Chile.

O prazer de estar em meio à natureza sempre foi enorme. A aproximação para as vias mais remotas é uma preparação para o esforço físico e mental da escalada esportiva. Uma trilha como a de um setor novo, é sempre uma veia de energia pulsante, cercada de vida por todos os lados.

Vento dando boas-vindas. Forte, imponente, mas ao mesmo tempo, um carinho para as partes descobertas do corpo. O sentir-se pequeno diante da grandeza das rochas, aos poucos se transforma em uma sensação de força.

Movimentos plásticos, explosivos e de resistência muscular máxima. Prazer de tocar agarras que nunca se repetem, esculpidas pelo tempo. Ir cada vez mais alto significa que ao final, a vista será ainda mais bonita. O silêncio, maior.

Escalar é amor eterno, paixão que não termina.

Mas a maternidade veio, aos 40 anos, e me fez rever a frequência com que eu iria praticar. Amamentar, dormir pouco, menos vigor, fariam com que eu adiasse a prática. Escalei quando o Luca fez 3 meses, depois 5, e 8 meses.

Hoje tenho escalado pouco e feito caminhadas para cachoeiras onde moro com mais frequência do que o esporte. Acho que é importante manter a rotina do meu filho; os horários de sono, principalmente.

Quero que ele chegue a dormir em barracas e redes mas ainda não consegui isso.

Sinto muita falta da prática regular. Frequentemente sonho com movimentos novos, novas vias e lugares onde nunca estive. Mas dentro do possível, visito lugares lindos com ele e fico imensamente feliz e plena em ver o deslumbramento dele por esses lugares.

Bebês e crianças têm seus sentidos ricamente estimulados ao sair de cidades e experimentar o aberto infinito de paisagens naturais, águas mais frias, incontáveis tons de verde. O toque de plantas, cheiro de folhas que amassadas e levadas ao nariz, causam reações engraçadas.

Ouvir pássaros, observar. Gastar tempo com o nada. Ou com o barulho da chuva batendo no topo da mochila especial com cobertura, enquanto estende o braço pra sentir os pingos.

Levar meu filho para o “mato” comigo e com o pai é compartilhar meu amor mais antigo com eles, os meus amores eternos.”

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Mudando seu estilo de vida de forma eficaz; por Felipe Brandão Bastos

Continuação do texto :Prepare sua mente para abandonar o sedentarismo; por Felipe Brandão Bastos

2 – Ajustar a rotina

Agora que você já entendeu, aceitou e já está espalhando para todo mundo, que para sair do sedentarismo e levar uma vida saudável, é necessário esforço, vamos começar a falar sobre a necessidade de deixar o comodismo de lado e planejar ajustes na rotina com a finalidade de levar uma vida mais saudável.

Em primeiro lugar, eu recomendo que você encare esses ajustes sob uma perspectiva positiva. A sua disposição mental diante disso, tanto pode minar as suas forças quanto servir de combustível, só depende da forma como você encara a situação.

Para conseguir​ enxergar isso de forma mais natural e positiva pense nas conquistas que você obteve em outros campos da vida, por exemplo:  tirar a sua carteira de motorista,  se formar,  ao comprar um veículo ou uma casa e até mesmo ao desenvolver e manter um relacionamento saudável.

Ao atingir a todos estes objetivos você invariavelmente precisou de dedicar algum tempo, energia e dinheiro, e em certos casos teve que aprender a lidar com frustrações e desânimo.

Para adotar e manter um estilo de vida ativo e saudável não é diferente, você também precisará dedicar tempo, energia e dinheiro para tal finalidade.

Se ultimamente você não tem se empenhado neste sentido, isso pode ser algo realmente incômodo.

Por isso aqui vão 3 conselhos que podem ajudar:

Seja realista

Ao longo da minha trajetória como praticante de exercícios físicos e posteriormente como profissional de Educação Física, me relacionei com várias pessoas que planejaram o abandono do sedentarismo e o início de uma vida ativa. Iniciaram com tudo, mas infelizmente não seguiram adiante.

Acabei percebendo que, em muitos casos, esse abandono precoce se dava em função de um início muito pretensioso, baseado na crença que daquele momento em diante, tudo seria favorável.

Para ilustrar:

Maria, que estava totalmente sedentária, encheu-se de vontade e disse: “Agora vai! Vou procurar uma academia e vou começar a me exercitar cinco a seis vezes na semana.”

E lá foi Maria. Ao visitar a academia, ela se encantou com a estrutura, com o número de professores, com a infinidade de aulas, com a precisão da avaliação​ física e teve certeza que “dessa vez não tinha como não dar certo”. Convencida de sua própria determinação, ela fecha logo um plano anual: “isso vai me fazer sentir obrigada a vir”.

Com o quadro de horários de aulas na mão, ela começa a planejar sua semana: aula tal na segunda, quarta e sexta, mais meia hora de exercício aeróbico, treino individual na terça e na quinta, depois mais uma outra aulinha aqui, e mais uma ali por aí vai. “Tudo lindo! Vai dar certo!”

Mas ela não leva em consideração a quantidade de compromissos que acaba de assumir consigo mesma e que, além de tudo, ela precisará conciliar esses novos compromissos com suas atividades diárias.

Então Maria começa na segunda, totalmente determinada! Faz um esforço, acorda cedo e vai treinar. Parte para o trabalho com sensação de dever cumprido. Conta para os amigos e a vida segue. Na terça feira ela acorda e mal consegue se mover, daí pensa: “Não tenho a menor condição, amanhã eu vou!”.

O fato de ter comprado um plano anual não fez a menor diferença nessa hora? Na quarta, as dores diminuíram um pouco, mas infelizmente teve um imprevisto e vai precisar chegar mais cedo no trabalho. “Poxa vida, Não vai dar, mas quinta eu vou!” e por fim, termina a semana com metade do objetivo realizado, ou nem isso.

Então, qual o problema na primeira semana? Talvez nenhum. Passamos de um zero de exercícios físicos para dois dias, e olha que não foi fácil.

Parabéns Maria!

Mas digamos que essa semana cheia de imprevistos se repita ao longo do mês. Então passamos de zero de exercícios físicos para oito ou talvez dez dias de treino. Muito bom também!

Mas pensando por outro lado. A intenção inicial era de 20 treinos não era? Então as aulas desmarcadas foram tão frequentes ou até mais frequentes do que as presenças. E o que isso tem a ver? Faz diferença?

A principal diferença que isso faz é no comportamento e nos hábitos desenvolvidos a médio e longo prazo.

Se Maria se comprometeu a treinar 20 vezes no mês e treinou apenas 8, ou 10, nos três próximos meses essa historia se repetindo, o que pode acontecer? Pode ser que, em consequência disso, ela desenvolva o hábito de não ter um compromisso firme consigo mesma, de sempre encontrar justificativas para desmarcar e de aceitar que: “É isso aí, vida fitness não é pra mim, já tentei mas não consigo. Deixa pra quem tem mais tempo que eu”. Como se a vida de todo mundo que treina fosse fácil!

Agora vamos imaginar uma situação diferente. Maria levou em conta sua rotina e planejou começar com dois dias de exercício físico na semana. Em algumas semanas ela até conseguiu fazer três vezes. Maria brilhou! Fez mais do que o esperado.

Em resultado disso ela se sente mais confiante, a sensação de dever cumprido do primeiro dia, se estendeu até o fim do primeiro, do segundo e do terceiro mês. Mais adaptada a isso, ela sente mudanças físicas positivas, os incômodos diminuíram ou ela aprendeu a lidar melhor com eles.

A sua disciplina, determinação, compromisso pessoal e autoconfiança aumentaram e talvez ela já esteja planejando uma frequência de exercícios maior. E a grande diferença é que o sucesso experimentado com uma rotina simples, mas realista já deixou Maria melhor preparada para um desafio maior.

A pessoa que planeja o início da prática de exercícios físicos, deve levar em conta que esse início gera cansaço, dor, talvez uma certa irritação, além de várias outras mudanças físicas, mentais e emocionais (que são características naturais de um estresse adaptativo a nova rotina). Isso, por si só, já é um desafio. Junte isso a problemas no trabalho, estudos, filhos, família e outros imprevistos e… “Caramba, como é que fulano dá conta?”

Então, o que eu quero te ajudar a perceber com essa história toda? Quando você estiver planejando seu início, não pense como a maioria pensa, querendo reverter em três meses os resultados de um longo período de descuido de sua saúde. Isso é loucura! Pense o contrário, pense na mudança da rotina como a construção de um hábito e entenda: não há problema nenhum se essa mudança for gradual. Afinal, todos nós vamos precisar sustentar esse hábito para o resto da vida. Então seja realista!

Continua em um próximo post.

Felipe Brandão Bastos, Bacharel em Educação Física. Professor de Ciclismo Indoor, Personal Trainer e treinador certificado de  CrossFit Level 1

Quer saber mais sobre vida saudável? Visite a Fitness Magazine Brasil

 

O Tempo é a Gente que Faz : por Roberta Sodré

Convidei esta amiga para escrever um texto contando um pouco de sua história que para mim é mais um exemplo de força e perseverança. Acompanho seu desempenho no esporte e admiro muito a forma que administra tantos afazeres ao mesmo tempo.

 Roberta Sodré  é mãe de gêmeos, esposa, delegada e atleta de CrossFit.

“Eu nunca fui gordinha. Tá, eu nunca fui nem cheinha, pelo contrário. Morria de amores pelos corpos voluptuosos das amigas que tinham peito, bunda e todos aqueles atributos que fazem um mulherão, sabe?

Sempre fui magrela, seca e desinteressante. Mas eu sempre gostei dos esportes, e de uma forma ou de outra, me dava bem ali naquele meio.

Natação, a antiga ginástica olímpica (que hoje chamam ginástica artística), vôlei… já fiz de tudo um pouco.

Um acidente nos treinos me fez então largar tudo aos 16 anos e recomeçar só na musculação aos 19 anos. Algo que eu nunca gostei.

Após casamento e gêmeos, resolvi que aquele “trem”  estava muito sem graça e decidi me aventurar no tal do CrossFit.

Comecei pensando só na estética, e me apaixonei. Cada dia um passo além, um salto mais alto… e de repente me vi competindo nas seletivas dos melhores do país.

Sim eu com 36 anos, mãe de gêmeos com cinco anos de idade, ali no meio daquelas menininhas todas que vivem daquilo e para aquilo.

E sabe o que eu senti? Orgulho.

Ali eu me encontrei, me achei e permaneci.

Treino hoje cerca de duas horas por dia, a partir das 05:00 da manhã, cinco vezes na semana. Não sofro pra fazer dieta, minha saúde melhorou 898%, além dos treinos de jiu jitsu e defesa pessoal duas vezes na semana (esses aí eu acrescentei por causa da minha profissão, que me exige preparo sempre contra qualquer agressão).

E assim, mãe, esposa, filha, amiga, Delegada de Polícia que trabalha dez horas por dia, eu me vi totalmente fora de uma rotina impositiva de padrão de beleza, para encontrar um outro padrão: o da minha realização.

As coisas não mudam por dois motivos apenas. Ou é medo ou é tarde. O tempo é a gente que faz. Espero vocês!”

Fotografia:Fred Paco

Instagram : Roberta Sodré