Fortnite: você conhece os games que seus filhos jogam?

Se você assim como eu tem filhos entre oito e dezoito anos, é bem provável que você tenha ouvido falar do jogo Fortnite: Battle Royale. A classificação PEGI para este jogo é de 12 anos. No entanto, o PEGI não leva em consideração os recursos de chat ao avaliar os jogos, já a App Store diz que os usuários devem ter mais de 12 anos para jogar.

O game de ação e tiro gratuito, lançado em 2017, tem 125 milhões de usuários, segundo a revista americana Forbes.

O jogo pode ser acessado  no Xbox,  PC, PlayStation, mac ou baixá-lo na App Store. O uso  cresceu rapidamente entre crianças, jovens e adultos desde o lançamento para dispositivos móveis em março de 2018. O jogo envolve 100 jogadores lutando entre si em tempo real para ver quem será o último sobrevivente.

É um jogo gratuito e o lucro de Fortnite vem da venda de itens dentro do jogo, como skins (roupas especiais para os personagens), passe de batalha, dancinhas e alguns outros acessórios. Estas compras no aplicativo podem se tornar bem caras.

Fortnite: Battle Royale tem vários recursos que podem ser divertidos, mas também existem alguns riscos:

  • Os jogadores podem adicionar amigos no jogo para dispositivos móveis se tiverem uma conta no Epic, o desenvolvedor do jogo.
  • Existe um recurso de bate-papo no jogo que permite que os usuários entrem em contato entre si usando voz ou texto. Você pode desativar o chat de voz no jogo, selecionando as 3 linhas no canto superior direito da tela,  depois configurações,  “Áudio” na parte superior da tela e depois vá para a opção “Voice Chat”, onde você pode selecionar ‘Off’.
  • Você pode usar uma variedade de armas para matar outros jogadores, ou seja, existe violência no jogo. O uso de jogos de videogame violentos por crianças é tema de vários estudos (inclusive da American Psychological Association) que demonstram sua influência no comportamento infantil. Segundo especialistas, tais jogos não são os únicos vilões e devemos sempre avaliar o contexto em que a criança está inserida e o modelo familiar que possa levá-la a reproduzir condutas agressivas.

A questão é: você deve proibir? Uma decisão que cabe a cada família.

Após conhecer o jogo, decidi libera-lo para minha filha mais velha. Não permito que a mais nova jogue. Normalmente ela joga aos fins de semana, sempre durante o dia (acredito que jogos de ação atrapalham o sono, por isso não permito após 18 horas), na sala, nunca nos quartos, sob supervisão de algum adulto e no máximo durante uma hora seguida. Também não permito a compra destes “itens virtuais”.

Procuro sempre saber com as meninas sobre o que estão fazendo on line. Elas sabem que  podem me falar, sem risco de castigos, se estiverem preocupadas, com medo ou chateadas com qualquer coisa que tenham visto.

Meu conselho: veja seu filho jogar e entenda um pouco mais sobre as atividades on line de seu filho, conheça e jogue com ele se possível. Gerencie sua tecnologia e use as configurações disponíveis, filtros de segurança para manter sua criança segura. Não permita jogos nem uso de eletrônicos nos quartos. O ideal é que tenha sempre supervisão de uma adulto.

 

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Como consegui abandonar o sedentarismo e seguir firme nos exercícios

Muitas mães ficam por conta da casa e dos filhos em tempo integral, algumas além de cuidar da casa ainda trabalham fora. Quando sobra algum tempo livre, você prefere dormir, ver TV, ler um livro à fazer algum exercício, estou certa? Durante muito tempo em minha vida optei também em usar meu tempo “livre” para ficar em um sofá vendo uma série, navegando na internet ou lendo algum livro.

Antes de dizer que você não tem tempo nem energia para praticar algum exercício, vou falar de algo que comprovei na pratica: exercícios não vão destruir sua energia e sim  aumenta-la, e é exatamente isso que as mães estão em busca, não é mesmo? Hoje com a rotina de exercícios e a mudança dos hábitos alimentares me sinto muito mais jovem e com energia do que quando tinha meus 20 anos.

Então vou tentar resumir algumas dicas que deram certo para mim, como já relatei em post anterior, tenho um histórico longo de sedentarismo, detestava academias e hoje estou no terceiro ano de prática de CrossFit e continuo apaixonada:

  • Crie uma meta para motivar você.

Por que praticar algum exercício seria bom para você? você quer emagrecer e voltar ao peso de antes da gravidez, deseja estar mais animada e disposta para seus filhos e família, ou até mesmo estar na melhor forma de sua vida?

  • Qual será o seu resultado final.

Quando comecei a treinar, minha primeira meta era sair do sedentarismo e dar um bom exemplo para minhas filhas. Comecei a emagrecer, ganhar músculos e senti a necessidade de procurar orientação de uma nutricionista. Fui então em busca de uma meta, ganhei  massa magra e minha melhor forma física de toda vida. Não esperava conseguir isso depois dos 40 e com duas filhas, mas consegui.

  • Encontre uma academia perto de sua casa ou no seu trajeto.

Minha escolha do box de CrossFit foi muito influenciada pelo fato de poder ir a pé e treinar logo após deixar as meninas na escola. Na volta aproveito para fazer compras de supermercado, antes de voltar para casa. É muito importante é que este local seja parte do seu caminho diário, e o mais perto possível de casa, da escola dos filhos, ou do seu trabalho. Desta forma, haverá menos desculpas para faltar aos treinos.

  • Traçar metas realistas. 

Primeiro, planeje o quanto você vai treinar a cada semana. Quando entrei no CrossFit, comecei a treinar duas vezes por semana, já que estava sedentária. Aos poucos, quando comecei a executar melhor os exercícios e a gostar da prática, passei para três vezes por semana, hoje estou em quatro. Se você só pode se exercitar duas vezes por semana por 30 minutos, é melhor do que não fazer nada.

  • Como o exercício faz você se sentir?

Você ama esse sentimento depois de treinar, energia e bem estar, embora esteja cansada. Aquela sensação de dever cumprido. Então, quando você precisar de um pouco de motivação, pense como você se sente bem depois. Não deixe o desanimo bater, no inicio, antes de me apaixonar pelo exercício eu tentava encontrar desculpas em minha mente para não ir. Depois não pensava, limpava tudo aquilo da cabeça e seguia em frente! Quase como tomar coragem para pular em uma piscina gelada para nadar com seus filhos.

  • Encontre a atividade física que te dá prazer.

Durante anos cheguei a perder as contas de quantas tentativas mal sucedidas e matrículas que cancelei, pois simplesmente não conseguir levar a diante as aulas  ou porque não me identificava ou porque morria de tédio: musculação, spinning, zumba, etc…. quando descobri o CrossFit me encontrei! Hoje também frequento um clube de escalada com minhas filhas e também tenho muito prazer aprendendo a técnica por lá.

  • Procure amigos para acompanhar na prática dos exercícios.

Assim, criará uma fonte de motivação a mais para treinar.

  • Procure um bom acompanhamento profissional.

Fundamental você ter bons profissionais para te motivar, assessorar e te dar broncas também. Bons professores, personal trainers e academias especializadas irão te auxiliar a evoluir, a emagrecer,  a aprimorar técnicas e  se manter motivada.

Estas são algumas dicas me ajudaram a sair do sedentarismo e começar a treinar de verdade! Nada melhor do que sentir mais disposição, mais saúde e olhar para o corpo  e ver os resultados aparecendo. Mas lembrar também que comer bem, direito e com qualidade, é fundamental para alcançar resultados.

Leia também:

Abandonando o sedentarismo; ajustes na rotina precisam ser práticos e sustentáveis; por Felipe Bastos

Todo o esforço será recompensado!

Prepare sua mente para abandonar o sedentarismo; por Felipe Brandão Bastos

A descoberta da ambliopia e o uso do tampão (oclusor)

 

Resolvi levar Sofia na oftalmologista por achar que estava na hora, havia até passado um pouco do tempo, 6 anos e nenhuma desconfiança sobre possíveis problemas de visão. Sempre atenta na escola, assistia filmes na TV, tablet e cinemas sem nenhuma queixa.

Eventualmente reclamava de dores de cabeça, mas como estava sempre em tratamento por causa de uma sinusite que sempre ia e voltava, os médicos também se confundiam e encontravam na sinusite a possível causa da dor.

Sentada e tranquila observava o exame de Sofia e a leitura das fileiras de letras que ia diminuindo cada vez mais e ela conseguia ler sem dificuldades. Bem, chegou a vez do outro olhinho. As letras garrafais surgiram e Sofia estava muda. Não acertou nenhuma!

Eu mal acreditava no que via, Sofia estava cega de um olho?  Como eu não pude perceber? Foi tanta aflição, minha pressão estava no chão mas não podia transparecer meu medo para minha filha que sem entender o que acontecia me olhava tentando buscar alguma explicação naquela novidade que ali surgia.

A médica então começou a explicar tentando me acalmar e tirar um pouco da culpa que eu estava sentindo por não ter notado antes o que estava acontecendo com minha filha.

Sofia enxerga bem com um olho e quase nada com o outro, pelo que a médica explicou o cérebro da criança “esquece” aquele olho que enxerga mal  e usa somente o olho bom.

Esse problema normalmente pode ser causado por estrabismo ( um olho desalinhado em relação ao outro), pelo diferença grande de “grau” de um olho para o outro ou por causas menos comuns como catarata congênita, ptose (pálpebra caída) ou outros problemas de córnea.

Quando um olho da criança não “apreende a enxergar” chamamos de ambliopia. Esta alteração pode normalmente ser tratada até os sete anos de idade. Ou seja, descobrimos no limite!

O caso de ambliopia da Sofia foi causado por uma hipermetropia bem alta.

No caso especifico dela, a médica decidiu ajudar o olho “preguiçoso” a melhorar a visão com o uso de tampão por seis horas diárias. Tapamos o olhinho bom, obrigando a Sofia a enxergar com o olho que não enxerga bem. Desta maneira o cérebro desenvolve a visão do olho ruim.

Em poucos meses de uso já conseguimos uma melhora de visão significativa, uma grande vitória, ainda mais sabendo que se não tivesse descoberto a tempo de tratamento ela correria o risco de perder a visão.

O uso do tampão não é fácil para a criança, Sofia ficou tristonha e muito desmotivada no começo, hoje esta reclamando bem menos. A médica optou pelo uso em casa e não durante o período da escola. Fica o alerta, pois nem sempre problemas de visão são facilmente notados na infância e o testemunho de que vale a pena persistir nos tratamentos.

Saiba mais: 

http://oftalmologia-pediatrica.eu/pagina,131,148.aspx

http://cbco.com.br/doencas/ambliopia/

https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/oftalmologia/ambliopia/

https://www.infoescola.com/doencas/ambliopia/

5 dicas para ajudar seus filhos em situações de bullying

 

O tema já foi abordado aqui no blog anteriormente no post “Mais uma conversa sobre BULLYING”, mas desta vez decidi voltar ao assunto após uma nova visão abordada em um blog chamado “MOMTRENDS”.

O artigo passa 5 estratégias para empoderar e mostrar a criança que ela pode tentar mudar o curso da situação de bullying do qual esta sendo vítima, através da linguagem corporal.

Esta abordagem é uma forma diferente de tentar lidar com a situação sem deixar de lado e nem tentando substituir toda orientação padrão que costumamos a passar para os filhos.

Fiz uma versão livre para o português das dicas da especialista em linguagem corporal Yana German:

  1. Postura: uma das dicas mais importantes é manter uma postura aberta. “Os pais devem sempre encorajar seus filhos a manterem sempre a cabeça erguida e o queixo para cima” diz Yana. “Ter uma boa postura aumentará instantaneamente sua confiança. Manter os ombros para trás e abrir o peito é uma dica rápida que opera maravilhas. Além de dar a impressão à própria criança de que é maior do que realmente é, esta postura irá aumentar a sua confiança pessoal” explica German.
  2. Contato Visual: Quando uma criança esta conversando com outra, ela deve sempre manter o contato visual. Manter um bom contato visual faz transparecer sua confiança de um modo não verbal. Esta estratégia pode ser facilmente praticada nas refeições à mesa, enquanto conversamos sobre acontecimentos do dia ou durante o momento de colocar as crianças para dormir.
  3. Sorriso: A criança que faz o bullying costuma atacar a vitima através de sua baixa auto-estima e também aquelas crianças que se mostram mais tímidas e vulneráveis.  “O sorriso serve como uma barreira contra toda negatividade, e a criança que pratica o bullying raramente terá como alvo uma vítima que se mostra feliz, sorridente, calma e irradiando boas energias” completa German.
  4. Seja maior do que a vida: usar o corpo para ocupar todo espaço físico ao seu redor o quanto for capaz. Balançar os braços, abrir os quadris, ampliar a postura. Ocupar mais espaço físico do que o habitual faz você se sentir mais poderoso e aumenta a confiança.
  5. Braços para baixo: Cruzar os braços é um grande sinal de que você esta na defensiva. Para parecer receptivo, aberto a novas amizades e pronto para se juntar a um grupo, lembre seu filho de manter sempre os braços ao lado do corpo, sem cruza-los (manter os braços dentro dos bolsos pode ser uma alternativa). Esta atitude passa a mensagem que o coração esta aberto e receptivo.

Conversar com os filhos com naturalidade e sem tabus pode fazer uma grande diferença!

Prevenindo a obesidade infantil; por Dra. Stephania Medina de Andrade Sócio

 

O peso das crianças é uma preocupação constante das famílias e dos pediatras.

Até alguns anos atrás, a maior preocupação era com a desnutrição. Atualmente, a obesidade é considerada uma doença crônica e epidêmica e estudos apontam que a incidência cresceu 60 % em 10 anos.

A obesidade é uma doença que acomete diversos sistemas do corpo e tem relação com doenças como diabetes, hipertensão, doenças articulares e cardiovasculares, câncer entre outras. Estudos apontam que a maioria dos adolescentes obesos serão adultos obesos.

Diante disso, a vigilância e a mudança de hábitos são fundamentais para mudarmos o curso das estatísticas para que nossas crianças sejam adultos saudáveis e com longevidade.

A grande mudança nos hábitos vem com boas escolhas e escolhas conscientes quanto ao que consumimos. A vida atribulada, a grande oferta de alimentos “práticos” nas prateleiras dos supermercados, as porções gigantescas dos fast food podem ser consideradas combinações explosivas.

Para ajudar nessas escolhas vou primeiro esclarecer uma dúvida muito frequente. Você já ouviu várias vezes esse termo ultraprocessado, mas você o reconhece no supermercado?

Então vou te dar uns exemplos e você vai exercitar na próxima ida às compras. Primeiro identificamos os alimentos in natura, que é todo aquele alimento que não sofreu qualquer mudança, pode ser encontrado na natureza (abacaxi). O alimento minimamente processado é aquele que sofreu pouca alteração até sua aquisição foi cortado, descascado, moído, etc (abacaxi descascado e embalado). O alimento processado é aquele que sofreu adição de sal e açúcar no processo (abacaxi em caldas). O alimento ultraprocessado é aquele cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial (suco de abacaxi em pó).

Algumas sugestões:

  • Os alimentos açucarados como os refrigerantes e os sucos de caixinha são uma cilada. Evite sempre que puder pois têm muito açúcar e conservantes. Opção: água, chá, sucos feitos com frutas (ex: morango, abacaxi, manga podem ser guardas congeladas e batidos na hora), água de coco (do próprio coco).
  • Os ultraprocessados são aqueles vilões capazes de nos enganar e nos fazer acreditar que estamos comendo bem. Evite !!! Com um pouco de organização podemos ter alimentos de ótima qualidade frescos na nossa mesa. As técnicas de congelamento são aliados nessa hora. Seguindo a máxima de quem guarda tem, a cada preparo podemos deixar porções congeladas para outro dia, legumes e verduras já cozidos e cortadinhos separados em saquinhos. Tudo congelado e em 10 minutos uma refeição fresquinha estará na sua mesa.
  • Informação: a leitura de rótulos nos permite identificar ingredientes que mais parecem retirados de uma aula de química do que da feira. Evite !!!
  • Divisão de tarefas: a divisão de tarefas faz com que todos da casa participem dos processos. As crianças podem colocar a mesa, lavas uns legumes e verduras. O maridão pode lavar a louça, enfim, moderno é isso, né?!
  • Vigilância : a vigilância do peso é feita com as consultas com seu pediatra e sempre lembrar que ele deve marcar nos gráficos de crescimento, altura e IMC (índice de massa corporal). Esses gráficos estão na caderneta de vacinação da criança e também pode ser encontrado no site da Organização mundial de saúde (OMS). O seu pediatra é capaz de identificar alterações no padrão de ganho de peso e crescimento e dar as orientações necessárias.
  • Atividade física: as crianças precisam se mexer. Correr, nadar, andar de bicicleta, sair das telas. O tempo preconizado pelas sociedades de pediatria é o máximo de 2 horas de tempo de tela por dia. A atividade física ajuda as crianças a terem menos ansiedade, fortalecerem, melhorar coordenação e gastar energia.

A mudança vem com um olhar para traz, isso, olhar para os nossos avós e voltarmos para a cozinha, para o prazer de sentarmos à mesa em família, sem celulares ou televisões.

Simplesmente conversar e curtir aquele momento. As crianças curtem muito essas experiências culinárias.

 

Dra. Stephania Medina de Andrade Sócio . Mãe de duas crianças gulosas, muito ativas e curiosas, com quem aprende todos os dias. Médica formada pela UFRJ, pediatra especialista em gastroenterologia pediátrica pela Unicamp e mestre pela UFMG.

 

Organizando a rotina: dicas de uma dona de casa com duas filhas

 

Quando tinha somente minha primeira filha, trabalhava como secretária executiva em empresa de engenharia. A profissão de meu marido exige que ele esteja sempre fora de casa e nesta época eu ainda tinha uma ajudante de segunda a sexta, mas nunca tive babá.

Assim que minha segunda filha nasceu, decidi parar de trabalhar fora e comecei a passar por vários apertos, as vezes por falta de tempo e outras vezes consequência da falta de experiência doméstica e organização do tempo.

Como estava em casa para poder acompanhar as meninas de perto, sem intenção de voltar a trabalhar fora, optei por manter minha ajudante somente dois dias da semana, e não mais diariamente.

Surgiu assim a necessidade de criar uma rotina mais organizada.

Conversando com uma amiga, ela perguntou como eu consigo ficar sem um pessoa me auxiliando em casa diariamente, cozinhando, treinando e mantendo a casa em ordem sem ficar louca! Mesmo sabendo que não é tão perfeito e certo como ela pensa ser, acho que posso dar umas algumas dicas que já foram testadas por nossa família e continuamos mantendo em nossa rotina:

  • Tenha uma agenda para os compromissos: agenda tradicional, computador, ou até mesmo lembretes sobre uma parede visível. Costumo a fixar na minha geladeira pois estou sempre mexendo nela. Ali, anote todos os compromissos, consultas ao médico, aniversários importantes.
  • Fazer um cronograma com atividades domésticas: como não tenho ajudante diariamente, me programo para limpar a casa e roupas durante o tempo em que as meninas estão na aula. Normalmente chegando do treino já começo a fazer tudo: colocar roupas para lavar  e começo a cozinhar algumas coisas para o almoço. Revezando os dias durante a semana. Assim a casa esta sempre limpa e nada fica acumulado.
  • Deixar as mochilas, sempre prontas no dia anterior: minhas filhas estudam de manhã e assim que terminam a tarefa, organizam o material do dia seguinte. Preparo o lanche, uniforme e deixo tudo sempre no mesmo lugar, assim não existe correria antes de sair para a escola, nem tenho que ficar procurando nada. Acordo, preparo o meu café e a vitamina de abacate com banana das meninas, acordo as duas com beijinhos e já entrego o uniforme na mão. Elas já colocam o uniforme, tomam a vitamina, escovam cabelos e dentes, e em menos de 20 minutos estão prontas para ir a escola.
  • Passar responsabilidades e tarefas domésticas para os filhos: cada um deve arrumar sua cama, guardar suas roupas e brinquedos no armário, levar o pratos e copo depois de acabar de comer. Assim educamos para o mundo e não ficamos sobrecarregadas.
  • Planeje o que a família vai comer durante a  semana: em vez de perder tempo e paciência todos os dias, no meu caso que ainda tenho que cozinhar, tento organizar um cardápio semanal e faço compras de produtos perecíveis de acordo com a necessidade. Muitas vezes deixo algumas refeições engatilhadas e semi prontas para o dia seguinte, com o preparo de véspera.
  • Programe suas contas para débito automático ou anote na agenda o vencimento um dia antes da data máxima, se necessário programe um despertador com lembrete no dia. Cabe também aqui, colocar junto aos lembretes na agenda, geladeira, porta de armário.
  • Divida com o marido a tarefa de levar os filhos à escola, as atividade, até mesmo o supermercado.
  • Criar horários para a rotina e respeitá-los: sempre fui rígida com horários em casa por um simples motivo, sei que na prática isso dá segurança para as crianças e nos ajuda a cuidar das tarefas de forma bem mais fácil. Temos horário para acordar, almoçar, fazer tarefa escolar, desligar tecnologia, e dormir. Isso dá uma certa tranquilidade para encarar o dia a dia.

Minha filha agora é vegetariana

Estava cursando a faculdade de Zootecnia quando decidi parar de comer “mamíferos”.

A decisão foi tomada durante uma visita monitorada a um abatedouro de bovinos com alto padrão de exigência, onde a carne em sua maioria era para exportação. Mesmo sendo um abatedouro de alto nível eu fiquei extremamente tocada e angustiada ao ver aqueles animais em fila indiana, aos berros, aguardando a hora do tiro na testa.

Mesmo comendo desde então somente aves, peixes e frutos do mar, em comum acordo com meu marido, decidimos que incluiríamos todo tipo de carne na dieta das meninas, deixando a opção por conta delas no futuro.

As duas nunca foram fãs de carne “vermelha”, para que comessem um pouco e de vez em quando eu disfarçava muitas vezes, cozinhando junto ao feijão. Luana nunca gostou de carne, mas gostava um pouco de frutos do mar, principalmente os camarões. Começou a rejeitar com mais força aos 10 anos de idade. Eis que um dia, aos prantos, deu um basta pedindo para que não insistissem mais que ela comesse qualquer “bichinho”  pois ela estava sentindo muito mal com isso.

Confesso, que mesmo com toda minha crença, com toda a pena que sempre senti dos animais, fui surpreendida! Muito por toda “lenda” que plantam em nossas cabeças desde cedo sobre a alimentação vegetariana e as possíveis consequências da falta de carne na dieta.

Pedi para que ficasse calma pois eu não forçaria nada. Peguei o celular e conversei com o pediatra dela que me disse que, desde que não parasse com ovo e leite não tinha problemas maiores.

Resolvi mesmo assim marcar uma consulta com um nutrólogo pediátrico.

Fizemos alguns exames de sangue e bioimpedancia, e não detectamos nenhum problema nem necessidade de suplementação no momento, somente a vitamina “d”que não depende desta opção.

Fui orientada em relação a dieta e confesso que esta sendo bem tranquilo até agora. Encontrei uma Mercearia vegana na cidade onde encontro muita opção vegetariana e vegana, além de conseguir muitas receitas gratuitas pela internet , ebooks com receitas e livros.

Todos em casa consequentemente estão consumindo bem menos carne, o que de todo eu acredito que é muito positivo.

Retiro o trecho a seguir da Coluna da Revista Época,escrita pela Jornalista Letícia Sorg:

“Com as discussões sobre a relação da carne com problemas de saúde e com o aquecimento global, é ainda mais provável que os jovens escolham a nova dieta, em geral diferente da dos pais. E são os pais que devem se preparar para lidar com a novidade. O médico Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da USP e responsável pela nutrologia do Hospital das Clínicas, esclarece algumas dúvidas que podem surgir na cabeça dos pais quando os filhos decidem deixar de comer carne.

Acontece de os pais não aceitarem a decisão do filho?
Dan Waitzberg –
 Isso é uma questão de dinâmica familiar. É preciso que haja um ambiente de respeito ao adolescente, que é muito salutar para o desenvolvimento da mente dele. Geralmente o jovem decide parar de comer carne junto com um grupo de amigos na escola. É muito difícil que ele faça isso sozinho. Então a recomendação para a família é entender, porque o adolescente não está propondo nenhum absurdo, e tentar acomodar isso dentro do convívio.

Os pais devem tentar dissuadir o filho de adotar o vegetarianismo?
Não acho que devam tentar. A Sociedade Americana de Pesquisa sobre o Câncer recentemente publicou que devemos ingerir 300 gramas de carne vermelha por semana. O brasileiro come isso num almoço. Uma churrascaria ultrapassa até o limite semanal. E é reconhecido que a ingestão exagerada de carne está relacionada a vários problemas futuros, como doenças cardiovasculares e câncer. Existe também um outro ponto de vista que relaciona a ingestão de carne ao aquecimento global. Tem o ponto de vista de saúde, o ponto de vista social. O que eu friso do ponto de vista da saúde é que a opção pelo vegetarianismo não pode ser encarada de maneira amadora. Ou seja, se a pessoa tomou essa decisão, tem que buscar conselho de nutricionista, de nutrólogo, para desenhar um cardápio diário.

Existe algum risco relacionado ao vegetarianismo entre adolescentes?
Os problemas maiores obviamente vão acontecer com os vegans (aqueles que não comem nenhum derivado animal, nem leite nem ovo), porque as crianças estão numa fase em que precisam de alguns nutrientes em uma certa quantidade que nem sempre é possível obter facilmente pela dieta vegetariana. É possível, mas tem que ter um acompanhamento de um médico nutrólogo, que vai avaliar as curvas de peso e altura, e de uma nutricionista, que vai prescrever uma dieta diária com base na idade, nas atividades e em outras características do paciente. Pode também haver necessidade de reposição nutricional, por exemplo, entre meninas que têm bastante fluxo menstrual. Elas podem necessitar mais de ferro, ácido fólico e vitamina B12. Entre os adolescentes que se dedicam seriamente aos esportes, é também importante observar que eles precisam de mais vitaminas e minerais. Então os cardápios têm que ser bem avaliados e, mesmo que a dieta seja adequada, pode ser necessária a suplementação.

Existe alguma idade mínima para adotar o vegetarianismo?
Os filhos de vegan convictos, por exemplo, mamam o leite materno até mais tarde e, depois, vão começando a se alimentar só com os vegetais. Mas tem que saber muito bem como fazer, com conselho de pediatras, que vão acompanhando e recomendando, também, os suplementos que todo bebê têm que tomar, de vitamina A. O vegetarianista consciente hoje não é um fanático. É um sujeito consciente, que quer manter uma boa saúde evitando os alimentos de origem animal. O ovo-lacto-vegetariano não tem o menor problema porque consegue suprir todas as necessidades proteicas e de vitaminas com a alimentação. O mais delicado é o vegan.

Qual é o principal desafio para os pais de vegetarianos?
Um dos problemas é que é muito fácil falar coma determinados alimentos. O complicado é preparar a nova dieta. A família precisa se reestruturar para suprir as necessidades do filho vegetariano. Não é nada impossível, mas a mãe vai ter que aprender métodos de preparo diferenciados. Talvez os outros filhos não queiram o mesmo e o filho vegetariano vai ter que entender que, na mesma mesa, os outros vão comer carne e outros derivados. Mas com conversa e entendimento, isso é perfeitamente possível.”

Leia mais:

Sociedade Vegetariana Brasileira